São Paulo — O dólar à vista avançou 1,09% nesta quarta-feira (17/9), encerrando o pregão cotado a R$ 5,52. Trata-se da maior marca desde agosto, o que representa um intervalo de quase cinco meses sem atingir esse nível. No mesmo dia, o Ibovespa recuou 0,79% e fechou aos 157.327,26 pontos.
Cenário político eleva cautela
A volatilidade no câmbio e na renda variável voltou a ser atribuída, principalmente, ao ambiente político brasileiro. Mais uma pesquisa de intenção de voto para a sucessão presidencial de 2026, desta vez conduzida pelo instituto Real Time Big Data, apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na dianteira em todos os cenários testados de primeiro turno. O resultado reforçou a percepção de instabilidade eleitoral, ampliando a procura por proteção em dólar e pressionando a moeda norte-americana.
Na véspera, levantamento da Genial/Quaest divulgado na terça-feira (16/12) já indicara quadro semelhante: Lula venceria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Ratinho Junior (PSD-PR) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em eventual disputa no primeiro e no segundo turnos. A sequência de sondagens manteve o sentimento de cautela entre os investidores locais.
Discurso moderado no Fed
No exterior, o mercado acompanhou pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve. Christopher Waller, cotado para assumir a presidência do banco central dos Estados Unidos, defendeu mais um corte de juros. Já John Williams, também diretor do Fed, avaliou que a política monetária está “bem posicionada” para 2026 e que as taxas americanas se encontram próximas do nível neutro, capaz de sustentar o crescimento sem acelerar a inflação.
Embora o tom tenha sugerido possível flexibilização monetária, os índices acionários em Nova York recuaram. Às 16h20 (horário de Brasília), o S&P 500 cedia 1,00%, o Dow Jones, 0,32%, e o Nasdaq, 1,47%. O movimento foi associado a realização de lucros depois da sequência de altas recentes, além da cautela com indicadores econômicos.
Tensão geopolítica influencia commodities
A agenda internacional também foi marcada pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na noite de terça-feira (16/12) determinou o bloqueio de petroleiros da Venezuela. O republicano declarou que o país vizinho está “completamente cercado” pela maior frota já deslocada na América do Sul. A medida repercutiu nos preços do petróleo, que avançaram nos mercados globais.
Imagem: Internet
Peso de Vale e Petrobras
No pregão doméstico, as ações de Vale e Petrobras amenizaram o recuo do Ibovespa por conta da valorização das commodities. Às 16h50, os papéis da mineradora subiam 1,65%, enquanto os da estatal de petróleo ganhavam 0,31%. Mesmo assim, o impulso dos dois pesos-pesados não foi suficiente para evitar o fechamento negativo do índice.
Perspectivas
Operadores de câmbio apontam que a tendência do real seguirá dependente da evolução das pesquisas eleitorais, de sinalizações sobre a política fiscal brasileira e do comportamento dos juros nos Estados Unidos. Enquanto isso, investidores mantêm postura defensiva, distribuindo recursos entre dólar, contratos de proteção e empresas com maior correlação ao mercado externo.
Com o encerramento das negociações desta quarta-feira, o dólar acumulou avanço de 3,4% apenas nesta semana. Já o Ibovespa perdeu 1,2% no mesmo período, refletindo o aumento da percepção de risco político e a resposta dos ativos globais às incertezas sobre crescimento econômico.
Com informações de Metrópoles




