Boston, EUA – Cinco meses depois de ter a imagem projetada em um telão durante o show do Coldplay, em 16 de julho de 2025, a diretora de Recursos Humanos Kristin Cabot, 53 anos, decidiu falar publicamente sobre o episódio que mudou sua vida. O vídeo, gravado no Gillette Stadium, em Foxborough (Massachusetts), mostrou Cabot abraçada ao então presidente-executivo da empresa de tecnologia Astronomer, Andy Byron, e alcançou 100 milhões de visualizações no TikTok em poucos dias.
Na gravação, Cabot aparece visivelmente surpresa ao perceber que estava sendo filmada. A cena, apelidada de #coldplaygate, gerou uma onda de comentários ofensivos on-line. Segundo a executiva, ela recebeu entre 500 e 600 ligações diárias, teve dados pessoais vazados e foi alvo de ameaças de morte. “Instalei câmeras de segurança em casa e a polícia ampliou a vigilância”, relatou.
Reação imediata após o show
Cabot e Byron, que mantinham relação estritamente profissional até aquela noite, estavam em um camarote VIP com amigos. Após alguns drinks de tequila, eles se beijaram pela primeira vez. Quando as câmeras do estádio os exibiram, Cabot recorda ter pensado em dois pontos simultaneamente: o impacto sobre o ex-marido, Andrew Cabot, presente no evento, e a hierarquia corporativa, já que Byron era seu chefe.
“Sou chefe de RH e ele é CEO. É clichê e grave”, disse. Ainda no estádio, ambos discutiram a necessidade de comunicar o acontecimento ao conselho da empresa. Horas depois, de volta ao apartamento dela na região de Boston, começaram a redigir um e-mail para a diretoria, mas a circulação do vídeo nas redes sociais tornou qualquer ação preventiva insuficiente.
Consequências profissionais
No sábado seguinte ao show, Byron apresentou renúncia ao cargo de presidente-executivo da Astronomer. A companhia abriu investigação e, em seguida, solicitou que Cabot se afastasse temporariamente. Ao final do inquérito interno, a empresa convidou a executiva a retornar, mas ela preferiu negociar sua saída, oficializada em 24 de julho de 2025. A Astronomer não comentou o caso.
Impacto familiar
Mãe de dois adolescentes, Cabot afirmou que a primeira preocupação foi explicar a situação aos filhos antes que soubessem pelos comentários on-line. A filha, de 14 anos, chorou ao assistir ao vídeo. A exposição também afetou a convivência: “Eles evitavam ser vistos comigo”, contou. Paralelamente, Cabot e o segundo marido, Andrew, já em processo de separação, iniciaram o divórcio formal. Ele divulgou comunicado informando que o casal estava separado à época do show e pediu privacidade.
Humilhação e ataques virtuais
Nas redes sociais, Cabot foi rotulada de “destruidora de lares” e “interesseira”. Comentários sobre sua aparência se multiplicaram, e celebridades chegaram a fazer piadas públicas com o episódio. A repercussão tomou proporções internacionais, mas os efeitos permanecem no cotidiano da executiva: em um posto de gasolina, no fim de novembro, uma mulher a xingou de “nojenta” e disse que ela “não merecia respirar o mesmo ar”.
Versão de Cabot sobre a relação com Byron
Em entrevista concedida em sua casa, em New Hampshire, Cabot negou ter tido relacionamento sexual com Byron antes da noite do show. Conforme relata, a aproximação começou na primavera de 2025, quando ambos comentaram sobre os respectivos processos de separação. “Cometi um erro. Dancei de forma inadequada com meu chefe após alguns High Noon. Assumo a responsabilidade”, declarou.
Passado o verão, Cabot e Byron mantiveram contato eventual para trocar informações sobre a empresa e sobre as famílias. Em setembro, decidiram interromper a comunicação para facilitar a recuperação emocional de todos os envolvidos.
Busca por reconstrução
Desempregada desde julho, Cabot contratou consultora de comunicação para apresentar sua versão dos fatos e minimizar novos danos a familiares. Ela também recorreu a terapia para os filhos e tenta retomar a rotina. “Quero que eles saibam que é possível errar e aprender, mas que ninguém merece ameaças de morte por isso”, afirmou.
Apesar do declínio da exposição pública, a executiva ainda lida diariamente com as consequências do episódio. Ela pretende continuar trabalhando, mas rejeita a ideia de que teria ascendido profissionalmente por um eventual relacionamento com o superior hierárquico. “Trabalho desde os 13 anos para não depender financeiramente de ninguém”, concluiu.
Com 53 anos, Cabot avalia que tornar pública sua experiência é também uma tentativa de encerrar o ciclo de humilhações virtuais iniciado em julho. “Gostaria que houvesse espaço para uma versão diferente dessa história”, finalizou.
Com informações de InfoMoney




