Quem encara um concurso público costuma dominar o conteúdo programático, mas tropeça numa etapa essencial: a ordem de resolução da prova. Começar pela parte objetiva ou abrir os trabalhos com a redação? A escolha, aparentemente simples, pode definir a classificação final.
Tempo, desgaste mental, peso de cada etapa e perfil da banca entram nessa equação. A seguir, veja critérios técnicos para escolher a melhor estratégia e como testá-la antes do dia D.
Entenda a lógica por trás da ordem de resolução
Cada prova apresenta combinações próprias de número de questões, nível de dificuldade e duração. Em editais com redação eliminatória, por exemplo, uma escolha equivocada pode significar desclassificação automática, mesmo que o desempenho na objetiva seja excelente.
Além disso, bancas como Cesbraspe, FGV e FCC variam no rigor linguístico e na extensão de textos cobrados. Portanto, não existe receita universal; o candidato precisa alinhar características pessoais ao formato da seleção.
Vale lembrar que mudanças recentes no serviço público podem alterar notas de corte e aumentar a concorrência, reforçando a importância de uma tática clara.
Benefícios de iniciar pela prova objetiva
A maior parte dos concurseiros começa pela objetiva. O motivo é simples: questões curtas aquecem o raciocínio e ajudam a vencer a tensão inicial. Quando o cérebro ainda está fresco, a velocidade de leitura e de reconhecimento de alternativas tende a ser maior.
Outro ponto é a quantidade de pontos em jogo. Em seleções como o esperado concurso da ANPD, a prova objetiva costuma somar a maior fatia da nota total. Gabaritá-la com calma diminui o risco de erros bobos e elimina a pressa de preencher o cartão ao final.
Para quem trava diante de uma folha em branco, atacar primeiro as múltiplas-escolhas reduz a ansiedade e adia o momento de redigir. Depois de um tempo respondendo itens, o cérebro identifica melhor conexões temáticas que podem enriquecer a argumentação da redação.
No entanto, há armadilhas: longas horas marcando alternativas geram fadiga cognitiva. Quando chega a vez da discursiva, falta energia para organizar ideias, revisar ortografia e manter letra legível. Se o tempo já estiver curto, a nota despenca.
Quando começar pela discursiva faz sentido
Em editais que atribuem peso elevado à redação — cenário comum em carreiras jurídicas, controle externo ou diplomacia —, abrir a prova pela parte escrita pode ser decisivo. Com a mente descansada, fica mais fácil estruturar argumentos, selecionar repertório jurídico e revisar o texto.
Para concursos que exigem alto nível de elaboração, como o de analista de controle do TCE, a redação costuma ser o verdadeiro diferencial entre aprovados e excedentes. Aliás, quem acompanha o ranking classificatório do TCE-SC vê como poucos décimos na discursiva mexem na posição final.
Outro cenário favorável é quando a prova objetiva traz número reduzido de questões ou nível de cobrança direto, exigindo mais rapidez que profundidade. Nesse caso, resolver a redação primeiro garante atenção total ao que mais pesa.
O risco? Gastar mais tempo que o previsto. Candidatos perfeccionistas podem se perder em revisões infinitas e chegar exaustos à parte objetiva, onde deslizes simples custam pontos preciosos.
Métodos híbridos e gestão de tempo
Quem não quer apostar tudo numa única abordagem pode adotar modelo híbrido. Nele, o candidato lê rapidamente o tema da redação, anota ideias-chave, resolve parte da objetiva para “arejar” a mente e só então redige. Enquanto marca alternativas, o cérebro continua processando o assunto da discursiva em segundo plano.
Independentemente do caminho escolhido, o cronômetro precisa ser aliado. Especialistas recomendam definir tempo máximo para cada bloco, levar relógio individual e reservar minutos finais para revisão global. Falhas de planejamento, e não desconhecimento da matéria, são as vilãs de muitas reprovações.
Nessa fase de testes, simulados completos ajudam a mensurar desempenho. Plataformas como a Platinum do Estratégia, citada por professores, oferecem correções ilimitadas de redações, mas o candidato pode replicar a ideia em casa com cronômetro e provas anteriores.
Academia Concursos lembra que quem treina diferentes ordens de resolução domina melhor o próprio ritmo e evita improvisos na data oficial.
Vale a pena mudar de estratégia na véspera?
Alterar a ordem de resolução sem ter testado exaustivamente é arriscado. O ideal é experimentar ambas as sequências durante a preparação, analisar notas, tempo gasto e sensação de segurança. Assim, no dia do exame, a escolha virá de prática validada — não de palpite —, protegendo o candidato de surpresas indesejadas.




