Uma nova sondagem do Instituto Datafolha, divulgada nesta terça-feira (24), mostra que a polarização política segue predominante no país. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados afirmam identificar-se como petistas ou bolsonaristas. O estudo foi realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A pergunta feita aos participantes do levantamento foi: “Considerando uma escala de 1 a 5, onde 1 é bolsonarista e 5 petista, em qual número você se encaixa?”. O resultado apontou que 40% situam-se no polo petista (posição 5), enquanto 34% alinham-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro (posição 1). Outros 18% declararam-se neutros (posições intermediárias da escala), 6% disseram não apoiar nenhum dos dois campos e 1% não soube responder.
Em comparação com a pesquisa anterior sobre o mesmo tema, divulgada pelo Datafolha no fim de julho, a diferença entre os grupos sofreu leve alteração. Naquele momento, 76% dos brasileiros afirmavam ter simpatia por um dos dois lados, dentro da margem de erro do novo estudo. Em julho, o instituto registrava um empate técnico: 39% declaravam-se petistas e 37% bolsonaristas. No levantamento atual, portanto, o percentual de apoiadores do Partido dos Trabalhadores avançou um ponto, enquanto o índice de simpatizantes de Bolsonaro recuou três pontos.
A coleta de dados ocorreu após a prisão e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma trama de caráter golpista. Ainda assim, o Datafolha não identifica efeitos estatísticos significativos sobre o total de eleitores que se declaram bolsonaristas, já que a variação permaneceu dentro da margem de erro.
Perfil dos petistas
Segundo o instituto, o petismo é mais expressivo entre mulheres (42%) e aposentados (45%). Entre as pessoas com escolaridade até o ensino fundamental, a identificação com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcança 52%. Do ponto de vista geográfico, o fenômeno aparece com maior intensidade no Nordeste, onde chega a 49% dos entrevistados. Quando o recorte recai sobre religião, 48% dos católicos declaram preferência pelo PT.
Perfil dos bolsonaristas
O bolsonarismo mostra-se mais forte entre homens (37%) e entre empresários (41%). Na faixa de renda de 5 a 10 salários mínimos, o apoio ao ex-presidente atinge 42%. Regionalmente, o índice mais alto foi observado no Sul do país, com 41% dos moradores se alinhando a Bolsonaro. No recorte religioso, 47% dos evangélicos declararam-se bolsonaristas.
Os dados recentes reforçam que a disputa política entre PT e o grupo de aliados do ex-chefe do Executivo continua influenciando a opinião pública. Para efeito de comparação, o percentual de entrevistados que se dizem neutros ou distantes dessa dicotomia (a soma de 18% neutros, 6% que não apoiam nem um nem outro e 1% que não soube responder) permanece minoritário diante da parcela que assume alguma das duas correntes.
Nesta rodada, o Datafolha não divulgou o número total de pessoas entrevistadas, mas manteve a metodologia tradicional, com aplicação de questionários presenciais e seleção de amostra representativa da população adulta em todas as regiões do país. O instituto informa que, para além da margem de erro de dois pontos, o nível de confiança do levantamento é de 95%.
Embora os percentuais tenham oscilado dentro do limite estatístico, o recorte de gênero, faixa etária, renda, escolaridade, região e religião permite observar diferenças claras na composição de cada grupo. O petismo, por exemplo, supera a média nacional em segmentos historicamente mais ligados ao partido, enquanto o bolsonarismo concentra-se em perfis específicos da população economicamente ativa e em determinadas regiões.
O Datafolha ressaltou que o novo estudo confirma a tendência de alta polarização identificada em levantamentos anteriores, sem indicar, no entanto, esgotamento da disputa entre as duas correntes. A próxima pesquisa sobre identificação política ainda não tem data anunciada.
Com informações de InfoMoney




