O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado no hospital DF Star, em Brasília, onde se recupera da cirurgia para correção de uma hérnia inguinal bilateral realizada na quarta-feira (22). De acordo com informações divulgadas na tarde desta quinta-feira (23) pelo filho Carlos Bolsonaro, os médicos avaliam a necessidade de um procedimento adicional para combater crises recorrentes de soluços.
“Os médicos seguem acompanhando o quadro pós-operatório, avaliando inclusive a necessidade de novo procedimento em razão dos soluços persistentes”, escreveu Carlos em publicação nas redes sociais. A mensagem veio acompanhada de uma fotografia do pai no leito hospitalar.
Cirurgia sem intercorrências
A intervenção durou aproximadamente três horas e meia e foi conduzida pela equipe liderada pelo cirurgião Cláudio Birolini. Segundo o médico, o procedimento correu sem intercorrências e Bolsonaro já se encontra acordado, instalado em um quarto de internação. A expectativa inicial é de que a recuperação demande entre cinco e sete dias.
A correção da hérnia foi classificada como eletiva, mas recomendada para evitar agravamento do quadro. O objetivo principal foi reposicionar o conteúdo abdominal e reforçar a musculatura da região inguinal, onde o enfraquecimento da parede abdominal havia provocado a hérnia.
Soluços sob observação
Apesar do sucesso da operação, a crise de soluços que acomete o ex-presidente desde 2021 voltou a preocupar a equipe médica. O cardiologista Brasil Ramos Caiado informou que ainda não foi feito o bloqueio anestésico do nervo frênico — terapia considerada para controlar o problema. “Optamos, por precaução, observar nesses próximos dias para avaliar a necessidade do procedimento”, afirmou o especialista.
Conforme Caiado, se os soluços persistirem, o bloqueio poderá ser realizado na próxima segunda-feira (27). A intervenção consiste em aplicar anestesia na região do nervo responsável pelos movimentos do diafragma, com o intuito de interromper os espasmos.
Monitoramento pós-operatório
Durante a internação, Bolsonaro passa por acompanhamento contínuo. O protocolo inclui controle rigoroso da dor, sessões de fisioterapia para mobilização precoce e medidas para evitar trombose venosa profunda e complicações respiratórias. No momento, não há definição sobre eventual transferência do ex-presidente para outro local de custódia durante o período de recuperação.
Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 22 de novembro, após condenação a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Qualquer mudança de ambiente dependerá de avaliação médica e autorização judicial. Segundo Birolini, o assunto será analisado nos próximos dias.
Família e críticas ao esquema de segurança
O ex-presidente está acompanhado no hospital pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Pela manhã, os filhos Flávio e Carlos compareceram à unidade de saúde. Ainda nas redes sociais, Carlos criticou o aparato policial que cerca o atendimento do pai. Para ele, “o número de policiais mobilizados para acompanhar o procedimento e toda a movimentação ultrapassa qualquer limite que qualquer ser humano consideraria razoável”. O ex-vereador classificou a situação como “absolutamente inacreditável e constrangedora”.
Autorização do STF
A hospitalização foi aprovada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após perícia da Polícia Federal apontar a necessidade clínica da intervenção. Desde então, a escolta policial permanece no local para garantir a execução da pena e a segurança do paciente.
Nos próximos dias, a equipe médica deve reavaliar o quadro clínico de Bolsonaro, incluindo a evolução da cirurgia e a persistência dos soluços. A partir desses dados, será definido se haverá necessidade de novo procedimento e por quanto tempo o ex-presidente continuará internado.
Com informações de InfoMoney




