Cingapura, 14 de janeiro – Os preços do minério de ferro negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerraram a sessão desta quarta-feira em leve alta, sustentados pela divulgação de números históricos de importação do insumo e de exportação de aço pela China.
O contrato de maio, o mais líquido na Dalian Commodity Exchange (DCE), subiu 0,06% e fechou em 821 iuanes por tonelada, equivalente a US$ 117,72 pelo câmbio da sessão. O movimento positivo ocorreu mesmo após a referência de fevereiro, transacionada na Bolsa de Cingapura, recuar 0,36%, para US$ 107,95 por tonelada.
A sustentação do mercado em Dalian veio logo depois de a Administração Geral de Alfândega do país divulgar que, em dezembro, foram registrados volumes recordes tanto de minério de ferro desembarcado quanto de aço despachado ao exterior. O desempenho reforçou a percepção de que a indústria siderúrgica chinesa segue ativa na recomposição de estoques, apesar do ambiente de demanda interna considerada fraca por analistas.
Recorde de aço motivado por mudança regulatória
As exportações chinesas de produtos siderúrgicos bateram o maior patamar mensal da série histórica em dezembro. De acordo com os dados alfandegários, o resultado foi impulsionado pela antecipação de embarques, depois que Pequim anunciou que, a partir de 2026, passará a exigir licenças específicas para o envio de aço ao exterior. Essa corrida para despachar material antes da nova regra colaborou para manter a atividade das usinas em níveis elevados no fim de 2023.
Em relatório distribuído a clientes, o banco ANZ destacou que o fluxo robusto de vendas externas ainda compensa a fraqueza do consumo doméstico. “As fortes exportações continuaram a equilibrar a demanda interna fraca”, apontou a instituição, reforçando que os volumes de dezembro reafirmam a importância do mercado externo para a indústria de aço do país.
Compras recordes de minério de ferro
Do lado da matéria-prima, as importações também estabeleceram novos recordes em dezembro e no acumulado do ano. Segundo a Alfândega, as siderúrgicas foram estimuladas pelos baixos níveis de estoque e por margens de produção mais favoráveis, o que levou as empresas a reservar maiores quantidades de minério no mercado internacional.
Nesse contexto, Atilla Widnell, diretor-geral da consultoria Navigate Commodities, avaliou que a produção de metais quentes se manteve firme nas últimas semanas, sinalizando que as usinas começaram a recompor seus armazéns antes do feriado do Ano-Novo Chinês. “Essas condições de alta devem persistir até o Ano-Novo Lunar”, afirmou.
Pressão sobre margens pode adiar novas compras
Embora o cenário de recomposição de estoques sustente as cotações, analistas observam que o patamar elevado do minério, combinado à recente compressão das margens de lucro das siderúrgicas, pode fazer com que algumas empresas posterguem aquisições adicionais até que haja uma correção de preços. Essa avaliação contribui para explicar a cautela que limitou ganhos mais expressivos na sessão de hoje em Dalian.
No mercado cambial, o dólar fechou a segunda-feira anterior cotado a R$ 5,3759, em alta de 0,07%, informação que ajuda a balizar os custos de importação no Brasil, embora não tenha interferido diretamente na formação de preços na Ásia.
Com o registro de importações e exportações sem precedentes em dezembro, a indústria chinesa de aço mantém o foco no abastecimento antes do feriado prolongado do Ano-Novo Lunar. Enquanto isso, operadores seguem atentos à evolução das margens das usinas e ao comportamento dos preços internacionais do minério, fatores que devem definir o ritmo de reposição de estoques nas próximas semanas.
O contrato de maio na Dalian permanece como principal referência para o curto prazo, refletindo as expectativas em torno da demanda na maior consumidora mundial de minério de ferro. Já o desempenho negativo da referência em Cingapura indica que parte dos participantes adota posição defensiva, à espera de sinais mais claros sobre o equilíbrio entre oferta e procura no início de 2024.
Apesar da pequena variação positiva registrada nesta quarta, o mercado segue sensível a dados de produção, exportação e importação divulgados pelo governo chinês, que continuam a exercer influência decisiva sobre as cotações globais do insumo e, por consequência, sobre a cadeia do aço.
Não foram divulgados novos indicadores após o fechamento, e os investidores acompanham as projeções para o Ano-Novo Lunar, que neste ano começará em fevereiro. Até lá, a dinâmica entre custos do minério, margens das siderúrgicas e políticas de exportação deve continuar no centro das atenções.




