São Paulo – A Tupy comunicou nesta sexta-feira a celebração de um acordo com o grupo Vamos para o desenvolvimento e a produção de veículos comerciais equipados com motores que utilizam biometano e gás natural como combustíveis.
De acordo com a empresa, o entendimento prevê, em um primeiro momento, a entrega de 100 caminhões que serão direcionados à coleta de resíduos urbanos na cidade do Rio de Janeiro. As unidades deverão começar a ser disponibilizadas ainda neste ano, marcando o início operacional da parceria.
Responsabilidades definidas
A Tupy, que controla a fabricante de motores MWM, informou que caberá à MWM toda a solução de propulsão. Esse pacote tecnológico abrangerá quatro elementos principais: o motor propriamente dito, o sistema de armazenamento dos gases, as válvulas de controle e as linhas de combustível que conectam cada componente.
Segundo o comunicado, o desenho do powertrain a gás e a biometano foi concebido para atender às necessidades operacionais de serviços urbanos de coleta de lixo, que demandam robustez, ciclos de trabalho intensos e elevada disponibilidade dos veículos. O objetivo técnico é permitir que os caminhões operem com combustíveis de menor emissão de poluentes, sem comprometer desempenho ou autonomia.
Papel do grupo Vamos
Na outra ponta do acordo, a BMB – divisão do grupo Vamos especializada em preparar veículos para aplicações específicas – ficará encarregada de adquirir os chassis, implementar a tecnologia desenvolvida pela MWM e concluir a integração dos sistemas. Essa etapa será executada na linha de preparação de veículos especiais da própria BMB.
O modelo operacional prevê que a BMB receba os componentes fornecidos pela MWM, realize a instalação de forma padronizada e devolva os caminhões prontos para entrada em serviço. A empresa ressaltou que todo o processo seguirá parâmetros de qualidade estabelecidos pelas duas companhias.
Escopo inclui ônibus em etapa futura
Embora o lote inicial contemple apenas caminhões destinados à coleta de resíduos, o acordo engloba, de maneira mais ampla, a possibilidade de produção de ônibus que utilizem a mesma motorização a biometano e gás natural. A extensão ao segmento de transporte de passageiros, contudo, não teve cronograma detalhado divulgado neste primeiro informe ao mercado.
Primeiras entregas a partir de 2024
As 100 unidades programadas para o Rio de Janeiro serão distribuídas gradualmente ao longo do ano. Conforme a Tupy, esse volume inicial servirá como projeto-piloto para testar, em ambiente real, o desempenho da motorização e o suporte técnico necessário para manter a frota em operação contínua.
As empresas destacaram ainda que, após a conclusão do primeiro ciclo e a validação dos resultados em campo, poderão avaliar novos contratos, tanto para ampliar o número de caminhões quanto para avançar na produção de ônibus equipados com a mesma solução energética.
Comunicação ao mercado
Todas as informações sobre o acordo foram divulgadas por meio de fato relevante enviado pela Tupy aos órgãos reguladores e ao mercado financeiro. O documento ressaltou que a iniciativa está alinhada à estratégia de expansão da companhia na área de sistemas de propulsão que utilizam combustíveis alternativos.
Da parte do grupo Vamos, a parceria é vista como oportunidade de oferecer soluções completas de veículos a gás e biometano, desde a aquisição até a customização, tendo a BMB como braço de implementação. O grupo afirmou que a integração com a MWM permitirá acelerar a adoção de tecnologias voltadas a frotas urbanas.
Próximos passos
Com o entendimento firmado, as equipes técnicas das duas companhias iniciam, imediatamente, a construção e a validação dos primeiros protótipos. Na sequência, esses veículos-piloto passarão por testes de durabilidade, segurança e consumo. Superada essa fase, terá início a produção em série das 100 unidades destinadas à capital fluminense.
Até o momento, valores de investimento, prazos detalhados de produção ou condições comerciais adicionais não foram divulgados pelas empresas. Novas informações deverão ser apresentadas conforme o projeto avance.
O acordo marca mais um movimento no mercado brasileiro em direção ao uso de combustíveis de menor impacto ambiental em operações de logística e serviços urbanos, com foco na substituição parcial do diesel convencional por alternativas como o gás natural e o biometano.




