Fortaleza (CE) – O Fortaleza EC SAF iniciou 2026 com mudanças profundas em sua organização. Em janeiro, o Conselho de Administração nomeou Pedro Martins como novo CEO, ocupando a vaga deixada por Marcelo Paz, contratado pelo Corinthians. A chegada do executivo marca o começo de um ciclo voltado à readequação financeira depois do rebaixamento à Série B.
Meta: reduzir folha de R$ 12 milhões para R$ 5 milhões
O primeiro desafio apontado ao novo dirigente é diminuir a despesa mensal com salários, hoje estimada em R$ 12 milhões, para aproximadamente R$ 5 milhões. Para cumprir a meta, o clube já promove uma reformulação significativa no elenco principal. Dos cerca de 40 atletas registrados até o fim de 2025, 15 já se desligaram do Pici por rescisão, empréstimo ou venda.
A negociação de maior valor concluída até o momento foi a transferência do atacante Breno Lopes ao Coritiba por R$ 15 milhões. Como detinha metade dos direitos econômicos, o Fortaleza ficou com R$ 7,5 milhões. A diretoria ainda conduz tratativas para liberar o argentino José Herrera e outros jogadores de alto custo que tiveram pouca participação na última temporada.
Reforços jovens e custo controlado
Enquanto reduz gastos, o clube recompõe o plantel com um perfil mais barato e de menor idade. Até agora, quatro reforços foram confirmados, todos com média de 23 anos. A estratégia é montar um grupo competitivo sem repetir investimentos considerados acima da realidade para a Série B.
Exemplo dessa lógica é o acordo que envolveu o volante Matheus Pereira. O atleta foi emprestado ao Corinthians mediante compensação financeira e pagamento integral de seus vencimentos pelo clube paulista. Como contrapartida, o jovem Ryan chegou ao Fortaleza, ocupando a mesma posição com custo bem inferior.
Nova estrutura de gestão do futebol
Além da lista de saídas e chegadas, a administração mexeu no organograma interno. O posto tradicional de diretor de futebol foi substituído por quatro gerências independentes: técnica, mercado, planejamento e controle, e operações. Segundo o clube, a divisão busca aumentar o monitoramento de processos e distribuir responsabilidades durante o período de reconstrução.
O departamento de scouting voltou a ocupar papel central. A meta é repetir modelos já adotados em outros ciclos, focando em atletas jovens e pouco valorizados que possam render esportivamente e, futuramente, gerar superávit em vendas. Jogadores como Hércules, Moisés, Ederson e Caio Alexandre, contratados em anos anteriores e negociados com lucro, são citados internamente como referências dessa política.
Trajetória do novo CEO
Formado em Administração de Empresas, Pedro Martins, 38 anos, reúne passagens por Athletico Paranaense, Cruzeiro SAF, Botafogo SAF e Santos. No Cruzeiro, integrou a diretoria responsável pelo acesso à Série A; no Botafogo, participou da gestão durante período de conquistas nacionais. Sua contratação foi conduzida pelo presidente do Conselho de Administração da SAF, Bruno Cals, que liderou o processo desde a saída de Marcelo Paz.
Contexto financeiro e esportivo
Mesmo contando com receitas futuras por venda de ativos, a diretoria adotou postura imediatista para ajustar o fluxo de caixa após a queda. Rescisões amigáveis e renegociações contratuais viraram prioridade. Ao mesmo tempo, o clube assegura que manterá a essência competitiva construída nos últimos anos, ainda que com orçamento menor.
Com o orçamento revisado, a expectativa é que a folha seja estabilizada na casa dos R$ 5 milhões já no primeiro semestre. A projeção de gastos considera salários, encargos e bonificações de desempenho. Qualquer contratação fora desse teto passará por análise conjunta das quatro gerências de futebol e do CEO.
Próximos passos
A pré-temporada segue no Centro de Treinamento do Pici, enquanto dirigentes buscam concluir pendências de mercado até o fechamento da janela. A prioridade imediata é definir o futuro de atletas que não se encaixam na nova política salarial e aproveitar oportunidades de mercado para reposição pontual.
Com orçamento revisado, elenco rejuvenescido e nova estrutura administrativa, o Fortaleza projeta a temporada de 2026 como ponto de virada para retornar à Série A em bases financeiras mais sustentáveis.




