A XP Investimentos divulgou a atualização quinzenal de seu monitor de short selling, documento que acompanha o comportamento das operações vendidas nas ações com boa liquidez negociadas na B3. Os números foram levantados até 5 de fevereiro e indicam aumento da pressão vendedora em parte dos papéis acompanhados.
De acordo com o relatório, o short interest (SI) mediano do Ibovespa subiu para 7,1% desde o levantamento anterior, feito em 23 de janeiro. No mesmo intervalo, o valor financeiro das posições abertas avançou para R$ 146,1 bilhões.
Como o monitor é calculado
O estudo considera três parâmetros para ranquear as ações:
- Short interest (SI) – percentual das ações alugadas em relação ao total em circulação. Valores acima de 10% costumam ser interpretados como altos.
- Days to cover (DTC) – quantidade de pregões necessários para que todos os vendedores a descoberto recomprassem os papéis, usando como base a liquidez média. Um DTC superior a 10 também é visto como elevado.
- Taxa de aluguel – juro pago pelo investidor que toma a ação emprestada. Alíquotas mais salgadas indicam maior demanda por posições curtas.
Nas operações de venda a descoberto, o investidor aluga a ação, vende de imediato e busca recomprá-la mais barata depois, devolvendo o papel ao doador e embolsando a diferença. Quanto maior o interesse pelo aluguel, maior tende a ser a taxa cobrada.
Raízen lidera avanço na taxa de aluguel
Entre os papéis monitorados, a Raízen (RAIZ4) apresentou a maior variação de taxa de aluguel no período. A alíquota saltou 11,4 pontos percentuais e chegou a 38,1%. A empresa de energia renovável superou com folga as demais ações na métrica.
Na segunda posição do ranking de taxas mais caras aparece a Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3), com 26,6%. Logo em seguida vem o Grupo Casas Bahia (BHIA3), cuja taxa atingiu 25,4%. Os próximos lugares são ocupados por GPA (PCAR3), com 18,5%, e Profarma (PFRM3), com 17,0%.
Além da disparada da Raízen, outras duas companhias registraram variações expressivas na taxa de aluguel: Santander Brasil (SANB11), com elevação de 5,6 p.p., e o próprio Grupo Casas Bahia, cuja taxa subiu 3,5 p.p. em relação ao relatório anterior.
Casas Bahia mantém maior short interest
Quando a análise recai sobre o volume relativo de ações alugadas, o Grupo Casas Bahia continua no topo. O SI do papel ficou em 39,2%, ligeiramente abaixo dos 42,5% registrados duas semanas antes, mas ainda o maior entre todas as empresas avaliadas.
A Raízen ocupa a segunda colocação, com 31,8% de suas ações disponíveis alugadas. O pódio é completado pela Boa Safra (SOJA3), cujo SI alcança 28,7%.
Agronegócio domina em termos setoriais
No recorte por setor, o Agronegócio mantém o maior short interest mediano, de 17,4%, patamar 10 pontos percentuais acima da média do Ibovespa. A leitura sugere que, coletivamente, os investidores seguem apostando em recuos dos papéis ligados à cadeia agroindustrial.
Pressão vendedora como termômetro de mercado
Segundo os analistas da XP, métricas de short selling elevadas tendem a refletir visão mais negativa dos investidores institucionais sobre os ativos. Taxas de aluguel altas e SI acima de 10% indicam que as apostas em queda ganharam força, funcionando como um indicativo de humor baixista.
Apesar disso, valores extremos podem também levar a movimentos de repique, caso a ação suba abruptamente e force a recompra pelos investidores vendidos. O relatório não traz recomendações de compra ou venda, mas fornece um retrato das expectativas de curto prazo embutidas nas posições de aluguel.
Os dados do monitor da XP são atualizados sempre às segundas-feiras em ciclos de 15 dias. O próximo levantamento deve incorporar as oscilações observadas até meados de fevereiro.
Confira abaixo os principais números da quinzena:
- Short interest mediano do Ibovespa: 7,1%
- Valor em posições abertas: R$ 146,1 bilhões
- Maior taxa de aluguel: Raízen (38,1%)
- Maior short interest absoluto: Casas Bahia (39,2%)
- Setor com maior SI mediano: Agronegócio (17,4%)
Com esses indicadores, o monitor oferece aos investidores um panorama detalhado sobre onde se concentram as apostas de queda no mercado acionário brasileiro e qual o custo para sustentar essas posições.




