O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (10) que não identifica motivo plausível para o atual nível de juros reais praticado no Brasil. Segundo ele, a taxa em vigor amplia o custo da dívida pública a ponto de o governo federal não conseguir neutralizar esse impacto mesmo que alcance qualquer patamar de superávit primário. As observações foram feitas durante evento organizado pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Ao comentar o efeito dos juros sobre as contas públicas, Haddad salientou que o encarecimento do serviço da dívida limita a capacidade do Tesouro de reduzir o endividamento. Para o ministro, mesmo estratégias rigorosas de geração de resultado primário – diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros – tornam-se insuficientes quando a taxa real se mantém elevada por período prolongado. Ele classificou o atual patamar como desnecessário diante das condições econômicas observadas.
Na mesma intervenção, o titular da Fazenda reforçou a necessidade de atenção especial ao Banco Central. De acordo com Haddad, a autoridade monetária detém instrumentos que podem tanto favorecer quanto prejudicar a administração pública e, por consequência, toda a sociedade. Ele afirmou que “cuidar” do BC é fundamental para garantir coerência entre a política monetária e os objetivos fiscais do governo, sem, contudo, avançar sobre a autonomia legal da instituição.
O ministro enfatizou que uma condução adequada da taxa de juros pela diretoria do Banco Central tem potencial de estimular o crescimento econômico, melhorar o ambiente de investimentos e reduzir pressões sobre o orçamento federal. Na visão de Haddad, quando o juro real fica acima do que considera razoável, o efeito contrário se impõe: a dívida cresce mais rápido, exigindo esforços adicionais de arrecadação ou corte de despesas para preservar a trajetória fiscal.
Durante o encontro com investidores e executivos do mercado financeiro, Haddad mencionou também a trajetória das contas do governo. Ele avaliou que os resultados fiscais vêm apresentando melhora consistente nos últimos meses, reflexo de medidas de contenção de gastos e incremento de receitas. O ministro sustentou que o avanço, embora significativo, ainda não alcança o grau de solidez pretendido pela equipe econômica.
Segundo Haddad, metas mais ambiciosas de equilíbrio das contas públicas dependem, além da gestão no Executivo, de iniciativas que necessitam de aval do Congresso Nacional. O ministro declarou que gostaria de apresentar números mais robustos e destacou a importância da colaboração do Legislativo na aprovação de projetos que reforcem a arrecadação ou revisem despesas obrigatórias.
Ele lembrou que a evolução do quadro fiscal está intimamente ligada ao comportamento da taxa de juros. Na avaliação do ministro, quando o custo do dinheiro recua a níveis considerados adequados, o governo ganha margem para direcionar recursos a investimentos e políticas públicas, ao mesmo tempo em que consegue reduzir o ritmo de crescimento da dívida. Caso contrário, alertou, o esforço por superávit se torna insuficiente para impedir a deterioração do endividamento.
Haddad encerrou sua participação reiterando que o diálogo com o Banco Central e com o Congresso é determinante para compatibilizar política monetária, responsabilidade fiscal e expansão sustentável da economia. Ele defendeu o engajamento das diferentes instituições na busca de um ambiente macroeconômico equilibrado, capaz de promover crescimento, estabilizar a dívida e oferecer previsibilidade a investidores e consumidores.




