Nova York – A série de amistosos batizada de “Road to 26”, marcada para março nos Estados Unidos, será o último grande teste internacional antes de o país mergulhar de vez no ambiente da Copa do Mundo de 2026, que terá sede compartilhada com México e Canadá.
Quatro confrontos em três cidades
O calendário começa em 26 de março, quando Brasil e França se enfrentam em Foxborough, no estado de Massachusetts. Três dias depois, em 29 de março, Landover, no estado de Maryland, recebe França x Colômbia. Já Orlando, na Flórida, sediará duas partidas: Colômbia x Croácia, também em 26 de março, e Brasil x Croácia, em 31 de março.
Organizadores afirmam que outros amistosos estão previstos para a Data Fifa de junho, com anúncios a serem feitos. A proposta é usar todas as janelas internacionais até 2026 para colocar seleções em solo norte-americano, testar operações de estádio, engajar torcedores e ampliar a exposição comercial do futebol no país.
Mercado competitivo
Transformar o soccer em produto relevante sempre foi desafio nos EUA, que concentram ligas consolidadas como NFL, NBA e MLB. A criação da Major League Soccer (MLS) nos anos 1990, o investimento em arenas modernas e o sucesso da seleção feminina — referência mundial de audiência e patrocínio — pavimentaram o caminho.
No futebol masculino, o avanço é constante, impulsionado por comunidades de imigrantes da América Latina, da África e da Europa. Mesmo diante de políticas migratórias mais rígidas, esses grupos mantêm estádios cheios em jogos de seleções e torneios de clubes internacionais, reforçando a importância social e econômica da modalidade.
Plataforma premium para marcas
Para patrocinadores e emissoras globais, partidas de alto apelo, como Brasil x França, representam audiência garantida e maior retorno de visibilidade. “Jogos desse porte fortalecem a exposição de marca e criam oportunidades para novas empresas entrarem no ecossistema do futebol internacional em um momento estratégico pré-Copa do Mundo”, afirma o brasileiro Ricardo Villar, diretor global de futebol da Florida Citrus Sports (FCS).
A FCS é uma das responsáveis pelo “Road to 26”, ao lado da Unified Events, que recentemente organizou o Miami Invitational de tênis. Com a experiência da FC Series — torneio de pré-temporada que há mais de uma década leva clubes brasileiros e europeus aos EUA —, a entidade acredita que a nova plataforma reúne marca, comunicação, venda de ingressos, planejamento de transmissão e experiência do torcedor em um único produto.
Impacto econômico na Flórida
Orlando receberá dois dos quatro jogos de março. A cidade, que atrai cerca de 75 milhões de turistas por ano e é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros, projeta impacto econômico de US$ 50 milhões apenas com esses amistosos. O cálculo inclui gastos de visitantes em hotelaria, transporte, alimentação e entretenimento.
“Ao longo da última década, Orlando se firmou como polo estratégico da presença do futebol brasileiro nos EUA”, lembra Villar, que também é CEO da FC Series. A localidade já recebeu clubes internacionais, partidas da seleção brasileira e o amistoso Brasil x Estados Unidos em 2024, preparatório para a Copa América. Mesmo fora do mapa de sedes da Copa de 2026, a cidade deve funcionar como base logística para torcedores que viajarão a jogos em Miami ou Atlanta.
Construção de audiência até 2026
O nome “Road to 26” foi criado para capitalizar o interesse crescente do público americano pelo futebol. Segundo os organizadores, a marca acompanhará todas as datas Fifa até o Mundial e deverá passar por rebranding depois de 2026, seguindo o ciclo natural do calendário internacional.
Nos bastidores, os amistosos também servem para avaliar fluxos de segurança, operação de ingressos e transmissão. Com os EUA habituados a megaeventos esportivos, o período é visto como último grande ensaio antes de o futebol assumir o protagonismo absoluto no país anfitrião do próximo Mundial.
Ao final da série de março, seleções, federações e parceiros comerciais esperam ter definido parâmetros de logística, comunicação e engajamento que se estenderão pelos dois anos seguintes. A expectativa do comitê organizador é clara: a partir daí, os Estados Unidos deixarão a fase de preparação e entrarão definitivamente no clima de Copa do Mundo.




