Os contratos futuros de minério de ferro negociados na China encerraram a sessão desta segunda-feira, 2 de março, em terreno positivo, revertendo as perdas registradas no início do pregão. A valorização foi atribuída, principalmente, à perspectiva de custos de frete mais elevados depois da escalada do conflito envolvendo o Irã, além da redução de embarques de grandes fornecedores.
Desempenho nas bolsas asiáticas
No mercado doméstico chinês, o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) avançou 0,87% e terminou o pregão diurno cotado a 754,5 iuanes por tonelada, equivalente a US$ 109,64. Já em Cingapura, o contrato de referência para abril subiu 0,85%, encerrando a US$ 99,20 por tonelada.
Impacto da crise no Oriente Médio
A alta dos preços do petróleo, desencadeada pelos recentes ataques que envolveram Estados Unidos, Irã e Israel, elevou as tarifas de transporte marítimo. Analistas da Zhengxin Futures destacaram, em nota a clientes, que esse aumento de frete oferece suporte adicional às cotações do principal insumo siderúrgico.
De acordo com informações divulgadas pelo corpo de elite das Forças Armadas iranianas, a Guarda Revolucionária lançou mísseis contra instalações governamentais em Tel Aviv, bem como contra alvos militares e de segurança em Haifa e Jerusalém Oriental. A ofensiva ampliou a aversão ao risco nos mercados globais.
Queda no volume de embarques
Outro fator que sustentou os preços foi a diminuição dos carregamentos originados da Austrália e do Brasil, responsáveis por grande parte da oferta mundial. Dados da consultoria Mysteel apontam recuo semanal de 0,8% nos embarques provenientes desses dois países.
Restrição de produção em Tangshan
Durante a primeira metade da sessão, os futuros de minério recuaram em reação às novas limitações impostas às usinas instaladas em Tangshan, principal polo siderúrgico da China. A autoridade local decidiu acionar, a partir de domingo, um protocolo de emergência de nível dois após previsão de piora na qualidade do ar.
Quando esse tipo de alerta é ativado, as siderúrgicas precisam reduzir temporariamente a produção, o que diminui a demanda por matérias-primas. Essas medidas se somam aos pedidos anteriores direcionados a usinas do norte do país para que diminuam a atividade industrial antes do início da reunião parlamentar anual, marcada para 5 de março, a fim de garantir condições atmosféricas mais limpas.
Pressões de curto prazo
Apesar do fechamento em alta, parte dos analistas continua cautelosa em relação à tendência do mercado. Segundo Guiqiu Zhuo, estrategista da corretora Jinrui Futures, a recuperação da demanda por aço segue lenta, enquanto os estoques do produto acabado permanecem elevados. Esse cenário, combinado ao volume expressivo de minério armazenado em portos chineses, impõe limites à sustentação dos preços.
Números da consultoria Steelhome mostram que os estoques de minério de ferro nos principais portos da China atingiram 162,17 milhões de toneladas em 27 de fevereiro, o maior patamar já registrado pela série histórica.
Cenário macro e reação dos mercados
Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices acionários recuaram nas primeiras horas do dia, refletindo a crescente preocupação dos investidores com a escalada de tensões no Oriente Médio. Esses movimentos reforçaram o ambiente de volatilidade observado nas commodities metálicas e energéticas.
Para analistas do setor, o comportamento dos preços do minério de ferro nas próximas semanas dependerá tanto da evolução do conflito que envolve o Irã quanto das iniciativas de controle ambiental na China. Além disso, o ritmo de reposição dos estoques de aço e a recuperação da demanda no período pós-Ano Novo Lunar continuarão a ser monitorados de perto.
Por ora, o mercado segue avaliando o equilíbrio entre a oferta restrita, influenciada por questões logísticas e geopolíticas, e a demanda interna chinesa, sujeita a políticas de controle de poluição e ao desempenho da construção civil.
Com a sessão desta segunda-feira, o minério de ferro mantém a trajetória volátil que marcou o início de 2020, alternando momentos de ajuste negativo — em meio a preocupações com estoques abundantes — e repiques de alta provocados por fatores externos, como a escalada dos custos de transporte marítimo.
A continuidade desse padrão dependerá, principalmente, da evolução das variáveis geopolíticas e da política industrial chinesa, pontos que permanecem no radar de investidores e agentes do setor siderúrgico.




