Um extenso corte de energia deixou a metade oeste de Cuba sem eletricidade na quarta-feira, 4, afetando milhões de moradores de Havana e de províncias vizinhas. O blecaute, confirmado pela empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) na rede social X, atingiu localidades que vão da cidade de Pinar del Río, no extremo oeste da ilha, até Camagüey, na região central.
A falha começou após a paralisação da usina termelétrica Antonio Guiteras, localizada a leste da capital, em Matanzas. Segundo a emissora estatal Radio Rebelde, um vazamento na caldeira forçou a interrupção imediata das operações da unidade, considerada a maior geradora de eletricidade de Cuba. Especialistas estimam que a retomada total das atividades da usina poderá levar pelo menos 72 horas.
Restabelecimento lento
No fim da tarde de quarta-feira, o governo informou que apenas 2,5% da cidade de Havana — aproximadamente 21.100 consumidores — haviam voltado a receber energia. As autoridades descreveram o processo de restauração como “gradual” e condicionado ao equilíbrio do Sistema Elétrico Nacional.
O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz utilizou o X para agradecer o trabalho das equipes que atuam na rede. “Confiamos na experiência e no esforço dos eletricistas para superar essa situação no menor tempo possível”, escreveu.
Também na rede social, o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que uma das centrais impactadas pelo blecaute já havia sido religada e que técnicos trabalhavam para sincronizar outros blocos geradores. “Estamos empenhados em restabelecer o serviço em meio a uma complexa situação energética”, declarou.
Rede vulnerável e escassez de combustível
Os cortes de energia têm se tornado frequentes em Cuba, resultado da combinação entre uma infraestrutura envelhecida e a redução das reservas de petróleo. A UNE enfrenta dificuldades para abastecer as termelétricas e manter a estabilidade do sistema, que depende fortemente de derivados de petróleo para geração.
A escassez de combustível se agravou depois que, no início de janeiro, um ataque dos Estados Unidos à Venezuela interrompeu o fluxo de petróleo vindo do país sul-americano — fonte crucial para a matriz cubana. Dias depois, o então presidente norte-americano Donald Trump ameaçou impor tarifas a qualquer nação que fornecesse petróleo à ilha, aumentando a pressão sobre o governo de Havana.
Diante da redução no fornecimento, as autoridades cubanas recorreram a apagões programados como forma de racionamento. Entretanto, a falha desta quarta-feira não estava prevista, o que gerou longas filas em postos de combustíveis e congestionamento em pontos de ônibus, enquanto serviços essenciais, como hospitais, acionaram geradores próprios para garantir atendimento.
Impacto na população
Moradores de Havana relataram paradas no transporte público, falhas em semáforos e interrupções nos serviços de telefonia móvel. Restaurantes reduziram o atendimento para economizar gás, e escolas encerraram as atividades mais cedo. Nas províncias de Artemisa e Mayabeque, comerciantes registraram perda de alimentos perecíveis por falta de refrigeração.
Especialistas em energia ouvidos pela mídia estatal alertaram que novos blecautes de grande escala não podem ser descartados enquanto a rede permanecer dependente de combustível importado e usinas antigas. A Antonio Guiteras, principal afetada, entrou em operação em 1988 e responde por parcela significativa da geração térmica do país.
Próximos passos
As equipes de manutenção concentram esforços na troca da seção danificada da caldeira da usina. Técnicos estimam que, após os reparos, a central precisará de alguns testes de carga antes de voltar a operar em plena capacidade, o que explica a projeção mínima de três dias para o restabelecimento total.
Nesse ínterim, a UNE organizará a distribuição de energia proveniente de outras fontes, priorizando serviços essenciais. A estatal não divulgou previsão oficial para a normalização em cada província, mas reforçou que atualizações serão feitas periodicamente pelos canais oficiais.
Até o fechamento desta reportagem, o governo cubano mantinha o alerta para possíveis oscilações e fornecedores privados eram orientados a limitar o consumo de eletricidade sempre que possível, em tentativa de diminuir a sobrecarga na rede e acelerar a recomposição da oferta.




