O confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã completou uma semana nesta sexta-feira, 6 de outubro, com a intensificação dos ataques em diversos pontos do Oriente Médio e alertas de organismos internacionais sobre o risco de escalada regional.
Novos bombardeios
Durante a madrugada, a Força Aérea de Israel lançou uma ofensiva simultânea contra Teerã, capital iraniana, e Beirute, capital libanesa. Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), cinquenta jatos dispararam cerca de cem bombas sobre alvos estratégicos na capital do Irã. A IDF afirmou ainda ter destruído o bunker subterrâneo que continuava sendo usado por autoridades iranianas após a morte do ex-líder supremo Ali Khamenei.
Em resposta, o Irã atacou posições no Curdistão iraquiano e áreas residenciais no Bahrain. Teerã não divulgou balanço de vítimas, mas reiterou que considera o movimento uma represália “legítima” aos ataques israelenses.
Dados de vítimas e deslocados
Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que ao menos 1.332 civis iranianos morreram desde o início da guerra. No Líbano, a mesma fonte estima que 100 mil pessoas deixaram suas casas e se abrigam em instalações provisórias após alertas de novos bombardeios.
Impacto no transporte marítimo
O Joint Maritime Information Center (JMIC), órgão multinacional que monitora a navegação no Oriente Médio, registrou pausa quase total no tráfego do Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, sem movimentação de petroleiros. A paralisação também mantém 15 mil passageiros de cruzeiros e 20 mil marinheiros retidos na região do Golfo.
Possível cooperação russo-iraniana
O jornal norte-americano The Washington Post revelou que a Rússia estaria fornecendo informações de inteligência ao Irã para orientar ataques contra forças dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Kremlin confirmou, em nota, que o presidente Vladimir Putin conversou por telefone com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e que ambos concordaram em “manter contato próximo”.
Posicionamento militar dos EUA e de Israel
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que os ataques ao Irã “vão aumentar dramaticamente” nos próximos dias. Anteriormente, o ex-presidente Donald Trump, que vem acompanhando a crise de perto, afirmou que “não há chance de acordo que não seja uma rendição incondicional” por parte de Teerã. Na quinta-feira, Trump disse que as forças aéreas e marítimas iranianas teriam sido “eliminadas” pelos EUA.
Pelo lado israelense, porta-vozes das IDF repetiram que o conflito entra em “nova fase” e adiantaram “movimentos adicionais surpreendentes” em curto prazo.
Esforços de mediação
Contrariando a retórica de Washington, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que Catar, Turquia, Egito e Omã ofereceram-se para intermediar conversações com Estados Unidos e Israel. “Estamos comprometidos com uma paz duradoura, mas defenderemos a soberania nacional”, escreveu Pezeshkian na rede social X. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã advertiu que países europeus que se envolverem diretamente no conflito “se tornarão alvos legítimos” de retaliação.
Reação regional
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que seu país “foi arrastado para uma guerra que não escolheu”, alertando para o risco de catástrofe humanitária. Líderes árabes reunidos em Beirute discutem a criação de corredores para ajuda emergencial.
Pronunciamentos da ONU
Em publicação na rede X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que “a situação não poderia ser mais grave” e pediu cessar-fogo imediato. O alto-comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou os ataques israelenses no Líbano como violação do direito internacional.
Durante sessão emergencial no Conselho de Segurança, o embaixador do Irã, Amir Saeid Iravani, acusou Israel e Estados Unidos de “crimes de guerra” e exigiu ação do órgão. “Hoje é o Irã; amanhã poderá ser qualquer Estado-membro”, advertiu.
Perspectivas
Sem indícios de trégua, o sétimo dia de combates mantém o Oriente Médio sob tensão crescente, com repercussões humanitárias, diplomáticas e econômicas que já se fazem sentir além das fronteiras da região.




