O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (17) em baixa de 0,79%, aos 157.327,26 pontos, acumulando perda de 1.250,26 pontos no dia e ampliando a correção iniciada na véspera, quando o índice já havia cedido 2,42%. O giro financeiro somou R$ 33,10 bilhões.
Pressão externa e fiscal mantém aversão a risco
O cenário internacional permaneceu adverso. Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em terreno negativo – Dow Jones (-0,47%), S&P 500 (-1,16%) e Nasdaq (-1,81%) – após nova queda expressiva das ações da Oracle. A companhia recuou depois de reportagem indicar dificuldades para financiar um data center de US$ 10 bilhões, levantando dúvidas sobre endividamento e gastos. Investidores também adotaram postura defensiva antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) norte-americano de novembro, prevista para esta quinta-feira.
A tensão geopolítica colaborou para a cautela. O ex-presidente Donald Trump declarou que “a Venezuela está cercada pela maior armada já reunida na América do Sul”, declaração rechaçada pela Rússia. O petróleo reagiu, com o Brent acima de US$ 60, e esse movimento beneficiou papéis ligados ao setor de energia.
No front doméstico, persistem dúvidas sobre a trajetória das contas públicas. Apesar da aprovação, na terça-feira, do projeto que corta incentivos fiscais e eleva a tributação sobre bets, bancos e fundos exclusivos, analistas consideram que a medida não resolve o desequilíbrio estrutural. A percepção de risco fiscal elevou a curva de juros: todos os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram alta.
Dólar e juros avançam
Na renda cambial, o dólar comercial ganhou 1,09%, encerrando a R$ 5,522 na venda, no quarto dia consecutivo de valorização ante o real. O movimento acompanhou a moeda norte-americana no exterior; o índice DXY subiu 0,23%, a 98,37 pontos.
Vale e Petrobras aliviam, bancos pesam
Entre as blue chips, Vale ON (VALE3) avançou 1,27% e evitou queda mais acentuada do índice. A companhia se beneficiou da alta do minério de ferro na China, onde as siderúrgicas voltaram às compras antes do feriado do Ano-Novo Lunar. Petrobras PN (PETR4) ganhou 1,11%, sustentada pela elevação dos preços do barril, enquanto a ordinária PETR3 subiu 0,28%.
Os ganhos, contudo, foram insuficientes para neutralizar o recuo dos grandes bancos. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,74%; Bradesco PN (BBDC4), 0,82%; Itaú Unibanco PN (ITUB4), 0,89%; e Santander Unit (SANB11), 0,60%. A queda refletiu realização de lucros e receio de elevação de carga tributária. A operadora da bolsa, B3 (B3SA3), afundou 3,43%, renovando mínimas recentes.
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Setores em destaque
No varejo, o ambiente de juros mais altos voltou a pesar: Magazine Luiza (MGLU3) recuou 3,16% e Lojas Renner (LREN3), 3,59%. Nas small caps, o índice SMLL cedeu 1,39%, a 2.258,11 pontos.
Entre as petrolíferas independentes, PRIO (PRIO3) variou 0,05%, enquanto Brava Energia (BRAV3) saltou 3,69% após a companhia projetar investimentos superiores a US$ 550 milhões em 2026. Fora do Ibovespa, Azul PN (AZUL4) interrompeu a sequência de fortes perdas e fechou estável, após acionistas aprovarem mudanças no estatuto para viabilizar o plano de reestruturação financeira.
Desempenho da semana e do ano
Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula queda de 2,14% na semana e recuo de 1,07% em dezembro. No trimestre, o ganho ainda é de 7,30% e, em 2025, o índice sustenta valorização de 30,96%.
Os investidores permanecem atentos aos próximos catalisadores: o Relatório de Inflação do Banco Central, a divulgação do CPI nos Estados Unidos e a reta final de votações no Congresso, que inclui o Orçamento de 2026. A combinação de incerteza fiscal interna e cautela externa tende a manter o mercado volátil no curto prazo.
Com informações de InfoMoney
