São Paulo, 26 de fevereiro de 2024 – O alpinista norte-americano Alex Honnold concluiu no domingo (25) a escalada do Taipei 101, arranha-céu de 508 metros localizado em Taipé, capital de Taiwan, sem o auxílio de cordas ou qualquer equipamento de segurança. A façanha foi transmitida pela Netflix com um pequeno atraso, adotado pela plataforma como protocolo para eventuais emergências.
Missão adiada pelo clima
A ascensão de Honnold estava prevista inicialmente para sábado (24), mas acabou postergada em 24 horas devido às condições meteorológicas na região. Com o tempo estabilizado, o atleta iniciou a subida na manhã de domingo e levou 1h30 para chegar ao topo do edifício, um dos mais altos da Ásia.
Segundo a escalar, primeiro sem equipamento
De acordo com informações da organização, Honnold tornou-se a segunda pessoa a completar o percurso na fachada do Taipei 101. No entanto, é o primeiro a realizar o trajeto sem dispositivos de proteção. A escalada reforça a reputação do americano, conhecido pelo estilo “free solo”, no qual qualquer erro pode ser fatal.
Transmissão com delay por segurança
A Netflix exibiu o evento ao vivo, mas com alguns segundos de atraso. A medida visou evitar a veiculação imediata de imagens em caso de acidente. A plataforma informou previamente ao público sobre o protocolo, ressaltando o grau de risco envolvido.
Valor do acordo com a Netflix
Em entrevista ao jornal The New York Times, divulgada após a escalada, Honnold revelou que recebeu da Netflix um pagamento estimado na faixa das “mid-six figures”, expressão em inglês que designa valores em torno de US$ 500 mil. “Se comparado ao que atletas de esportes tradicionais ganham, é uma quantia vergonhosamente pequena”, declarou. O alpinista citou contratos da Major League Baseball, que podem superar US$ 170 milhões, para ilustrar a diferença.
Histórico premiado
Honnold já era conhecido do grande público desde 2019, quando o documentário “Free Solo”, sobre sua escalada do penhasco El Capitan, na Califórnia, venceu o Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem. Na ocasião, ele subiu os 915 metros da formação granítica sem qualquer sistema de segurança, consolidando-se como referência mundial em escalada de alto risco.
Preparação e logística
Para a tentativa em Taipé, a equipe de produção precisou coordenar fechamento de vias adjacentes, autorização das autoridades locais e montagem de câmeras em múltiplos pontos da fachada do arranha-céu. Segundo o cronograma divulgado, a preparação técnica começou dias antes, contemplando testes de transmissão, checagem de ancoragens e avaliações de vento.
Protocolos de emergência
A ausência de cordas torna impossível qualquer resgate rápido em caso de queda, deixando apenas serviços médicos de prontidão no chão. Diante disso, a Netflix manteve ambulâncias e bombeiros posicionados na base do Taipei 101. Um porta-voz da plataforma informou que nenhum incidente foi registrado ao longo dos 90 minutos de escalada.
Repercussão internacional
A escalada gerou ampla repercussão nas redes sociais, com usuários questionando tanto o grau de risco assumido quanto a decisão da Netflix de exibir o feito. Honnold, por sua vez, respondeu em entrevista a rádios locais que “o risco é administrável quando se conhece cada passo” e que a escolha de escalar sem cordas faz parte de sua trajetória esportiva.
Comparação salarial
O valor de cerca de US$ 500 mil recebido por Honnold corresponde hoje a pouco mais de R$ 2,5 milhões, considerando a cotação do dólar próxima de R$ 5,10. O montante contrasta com os pagamentos de esportes coletivos de grande audiência, mas supera premiações regulares de competições de escalada profissional. Ainda assim, o americano afirmou que o retorno financeiro nunca foi sua principal motivação.
Com a conclusão da escalada do Taipei 101, Alex Honnold adiciona mais um marco à carreira, mantendo o foco em projetos de alta complexidade e continuando a chamar atenção para as possibilidades – e os riscos – do free solo.




