A Alphabet, controladora do Google, informou nesta segunda-feira que fechou acordo para adquirir a Intersect, desenvolvedora norte-americana de projetos de energia limpa, por US$ 4,75 bilhões. O valor inclui a assunção de dívidas da companhia adquirida.
Expansão de capacidade para inteligência artificial
O movimento ocorre em um momento de corrida das gigantes de tecnologia para assegurar fornecimento elétrico capaz de sustentar a crescente demanda por computação na área de inteligência artificial (IA). Nos Estados Unidos, redes de transmissão já registram pressão adicional com a expansão de aplicações de IA generativa, levando empresas como Alphabet, Microsoft e Meta a direcionarem bilhões de dólares a projetos energéticos.
O que está incluído no negócio
Pelos termos anunciados, a Alphabet assumirá os empreendimentos de geração renovável e data centers da Intersect que se encontram em fase de desenvolvimento ou construção. A empresa alvo possui atualmente cerca de US$ 15 bilhões em ativos, entre instalações em operação e obras em andamento.
A expectativa é de que, até 2028, os projetos da Intersect somem aproximadamente 10,8 gigawatts (GW) em capacidade instalada ou em implantação. A cifra representa mais de 20 vezes a eletricidade média gerada pela Usina Hidrelétrica Hoover, localizada na fronteira dos estados de Nevada e Arizona.
Parcerias e investimentos anteriores
A aquisição reforça o portfólio de investimentos da Alphabet no setor energético. No início de junho, a companhia de serviços públicos NextEra Energy ampliou colaboração com o Google Cloud para desenvolver novas fontes de eletricidade voltadas às operações do grupo em território norte-americano.
Em dezembro do ano passado, o Google, ao lado do fundo TPG Rise Climate, participou de uma rodada de financiamento superior a US$ 800 milhões na própria Intersect. Na ocasião, foram revelados planos para erguer parques industriais capazes de abrigar múltiplos gigawatts em capacidade de data center, integrados a novas usinas de geração renovável.
Ativos que ficarão fora da compra
Apesar do acordo bilionário, nem todos os ativos da Intersect passarão às mãos da Alphabet. Segundo comunicado, os empreendimentos já operacionais no Texas e as instalações em operação ou em desenvolvimento na Califórnia permanecerão fora da transação. Esses ativos seguirão administrados como empresa independente, contando com suporte dos atuais investidores.
No Texas, um dos principais projetos é o Quantum, sistema de armazenamento de energia limpa construído ao lado de um complexo de data centers do Google. A iniciativa busca garantir fornecimento estável e reduzir a intermitência típica de fontes renováveis.
Incorporação, mas com gestão separada
A Alphabet destacou que as operações da Intersect continuarão independentes da estrutura corporativa do Google após a conclusão da compra. A companhia de Mountain View acrescentou que a equipe da desenvolvedora seguirá explorando tecnologias emergentes para ampliar e diversificar a oferta de eletricidade, ao mesmo tempo em que sustentará os futuros investimentos do Google em infraestrutura de data centers dentro dos Estados Unidos.
Com a incorporação, a Alphabet ganha acesso a um pipeline robusto de projetos solares, eólicos e de armazenamento, reduzindo a exposição a possíveis gargalos energéticos associados à expansão vertiginosa da IA. A transação ainda passa por trâmites regulatórios usuais, mas as empresas não divulgaram previsão de fechamento.
O avanço do consumo elétrico
Estudos recentes indicam que centros de dados alimentados por IA podem consumir até dez vezes mais energia do que data centers convencionais, impulsionando a procura por fontes renováveis de grande escala. Para especialistas do setor, acordos como o anunciado por Alphabet e Intersect devem se intensificar nos próximos anos, já que as empresas buscam cumprir metas de neutralidade de carbono sem comprometer a capacidade de processamento.
Com o fechamento da compra, a Alphabet consolida presença direta na cadeia de geração, reduz custos de aquisição de energia de longo prazo e se aproxima da meta de operar globalmente com 24 horas de fontes livres de carbono até 2030.
Com informações de InfoMoney




