O ministro do Turismo, Celso Sabino, declarou nesta quarta-feira (17/2) que considera “compreensível” sua demissão do cargo e que, a partir de agora, concentrará esforços na campanha para o Senado Federal em 2026. A informação foi dada um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicar a mudança durante a última reunião ministerial do ano.
Governabilidade como motivo
Segundo Sabino, a saída atende a uma demanda política do Palácio do Planalto para fortalecer a base de apoio no Congresso Nacional. “Entre os esforços do governo para melhorar a relação com o Congresso e garantir governabilidade, faz parte a participação dos partidos. Houve essa demanda do União Brasil para indicar o ministro do Turismo. Eu compreendo perfeitamente e agradeço muito ao presidente Lula”, afirmou.
Trajetória no governo
Deputado federal licenciado pelo Pará, Sabino chegou ao ministério em agosto de 2023, quando o União Brasil, insatisfeito com a então titular Daniela do Waguinho (RJ), apresentou seu nome ao Executivo. A relação entre a legenda e o governo Lula, porém, se deteriorou ao longo de 2024. Com o rompimento, o partido retirou o apoio ao ministro e passou a pressionar por uma nova indicação.
Mesmo diante da orientação partidária, Sabino resistiu a deixar a Esplanada de imediato. A atitude resultou em sua expulsão do União Brasil. “Há poucos meses decidi permanecer para concluir projetos importantes, como a preparação da COP30. Não poderia abandonar o posto em 24 horas, como foi exigido. Entendo que fui coerente com o Pará e com o Brasil”, justificou.
Negociação para sucessão
O Planalto fechou acordo com uma ala do União Brasil para nomear Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), como novo titular do Turismo. O futuro ministro conta ainda com o respaldo do líder do Republicanos na Câmara, Hugo Motta (PB). Sabino confirmou a articulação e elogiou o sucessor: “É um jovem muito competente, já foi secretário de Turismo da Paraíba. O ministério estará em boas mãos. Farei a transição e estou à disposição para ajudá-lo”.
Planos eleitorais
Com a saída do governo, Sabino retornará ao mandato de deputado na Câmara dos Deputados, mas mantém o projeto de concorrer ao Senado em 2026. Sem filiação partidária no momento, ele disse que avalia convites de diferentes siglas. “Todas as possibilidades estão na mesa. Só descarto o PL”, afirmou. Questionado se poderia migrar para o PT, respondeu que não descarta a possibilidade.
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Próximos passos
A exoneração de Sabino será oficializada em edição do Diário Oficial da União, seguida da nomeação de Gustavo Feliciano. Até lá, o atual ministro continuará respondendo pela pasta e deverá repassar informações sobre programas, contratos e ações em andamento. Entre as iniciativas consideradas prioritárias estão campanhas para fortalecer o turismo doméstico, negociações de voos internacionais e preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer em Belém (PA) em 2025.
Retorno à Câmara
De volta ao Legislativo, Sabino pretende manter interlocução com prefeitos e lideranças do Pará para consolidar sua pré-candidatura. Ele conta com a visibilidade obtida no ministério para apresentar projetos ligados ao turismo e à sustentabilidade, temas que planeja levar à campanha eleitoral.
Contexto partidário
A troca no Ministério do Turismo integra uma série de ajustes buscados pelo governo para ampliar o apoio a matérias de interesse no Congresso. No cálculo político do Planalto, o espaço ocupado por Sabino passará a funcionar como ativo para fidelizar votos do União Brasil e de partidos aliados na Câmara e no Senado.
Ainda não há definição sobre cargos que o ex-ministro possa ocupar até a disputa eleitoral, mas aliados próximos afirmam que ele deverá focar na articulação de pautas voltadas à região Norte para reforçar sua projeção estadual.
Com informações de Metrópoles




