O chefe do Estado-Maior Militar da Líbia, Mohammed Ali Ahmed al-Haddad, morreu na noite de terça-feira (22) após a queda de um jato executivo Dassault Falcon 50 no centro da Turquia. A bordo da aeronave estavam mais quatro ocupantes, todos integrantes da delegação líbia, que também perderam a vida no acidente, informou o governo de Trípoli, reconhecido internacionalmente.
De acordo com o ministro do Interior turco, Ali Yerlikaya, as equipes de busca localizaram os destroços do avião nas proximidades de Haymana, área rural da província de Ancara, horas depois de o controle de tráfego aéreo ter perdido contato com o jato. O Falcon 50 havia decolado do Aeroporto Internacional Esenboga, na capital turca, às 20h10 (horário local) e seguia em direção a Trípoli.
Relatos preliminares indicam que, por volta das 20h30, o piloto comunicou necessidade de pouso de emergência nas imediações de Haymana. O último sinal do transponder foi captado às 20h52, momento em que o jato desapareceu dos radares. A causa da queda ainda será apurada pelas autoridades aeronáuticas turcas, que iniciaram investigação técnica com apoio de especialistas em segurança de voo.
O Dassault Falcon 50 acidentado tinha 37 anos de operação e era administrado pela empresa de fretamento Harmony Jets, conforme dados do serviço de rastreamento FlightRadar24. A mesma aeronave havia realizado percurso inverso — de Trípoli para Ancara — em 22 de dezembro, segundo histórico de voos públicos.
Além de Al-Haddad, a delegação líbia incluía o tenente-general Fattouri Gharbil, comandante das forças terrestres; o brigadeiro-general Mahmoud al-Fadhawi, chefe do serviço de industrialização militar; o conselheiro Mohammed al-Asawy; e o fotógrafo oficial Mohammed al-Mahjoub. Não havia tripulantes ou passageiros turcos registrados no manifesto.
Horas antes do voo, Al-Haddad esteve reunido em Ancara com o chefe do Estado-Maior turco, Selcuk Bayraktaroglu. Segundo comunicado divulgado pelo Estado-Maior da Turquia, os oficiais dos dois países discutiram cooperação militar em encontros bilaterais e ampliados, que contaram com a participação de comandantes de alto escalão.
A Turquia mantém presença militar na Líbia desde 2020, quando firmou acordo de segurança com o governo sediado em Trípoli. Tropas turcas prestam treinamento, fornecem equipamentos e atuam como assessores táticos no território líbio. Na segunda-feira (21), o Parlamento turco prorrogou por mais dois anos o mandato que autoriza a permanência dessas forças no exterior.
O falecimento de Al-Haddad representa uma perda significativa para as Forças Armadas da Líbia, que enfrentam panorama interno fragmentado após anos de conflito civil. Até o fechamento desta reportagem, autoridades líbias não haviam anunciado quem assumirá interinamente o comando militar. Já o Ministério da Defesa da Turquia informou que colaborará com o governo líbio nos procedimentos de repatriação dos corpos.
A Direção de Investigações e Acidentes Aéreos da Turquia mobilizou peritos para o local da queda, enquanto unidades de resgate, gendarmaria e bombeiros permaneceram em Haymana ao longo da madrugada para isolamento da área. Relatórios preliminares e caixas-pretas serão enviados a Ancara nas próximas horas.
Segundo o Ministério da Saúde turco, não houve registro de vítimas em solo, já que a aeronave caiu em região despovoada. O gabinete do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, transmitiu condolências ao povo líbio e declarou que “fará todo o possível” para esclarecer as circunstâncias do acidente.
Até o momento, não há previsão de divulgação do relatório definitivo sobre as causas da tragédia. Autoridades líbias informaram que acompanharão de perto as investigações conduzidas pelos peritos turcos e que cooperarão no fornecimento de documentos e informações de manutenção do Falcon 50.
Com informações de InfoMoney




