O primeiro encontro presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da Argentina, Javier Milei, ocorreu neste sábado, 20, durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados. A breve saudação, registrada por câmeras no Palácio Itamaraty, em Brasília, foi marcada por formalidade e distância física, em nítido contraste com o tratamento caloroso dispensado ao presidente do Paraguai, Santiago Peña.
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, Lula recebe Milei com um rápido tapinha no ombro. O argentino, sem esboçar sorriso, mantém expressão séria. Na foto oficial, ambos posam lado a lado, porém separados por alguns centímetros, sem contato adicional. Poucos minutos depois, quando Lula cumprimenta Peña, o clima muda: há aperto de mãos, sorrisos largos e um abraço lateral, sinalizando proximidade política e pessoal.
Evento marca transição da presidência rotativa
A reunião de cúpula concentrou chefes de Estado e chanceleres dos países integrantes do bloco regional. No encontro, ficou definida a transferência da presidência rotativa do Mercosul. Lula encerra seu mandato à frente do órgão no fim deste mês, e Peña assumirá a função a partir de janeiro.
A condução paraguaia da organização deverá durar seis meses, conforme calendário interno. Durante o período, caberá a Assunção coordenar agendas econômicas e diplomáticas, além de representar o grupo em negociações externas.
Relações tensas entre Brasil e Argentina
Milei é crítico declarado de Lula desde antes da posse em Buenos Aires. O líder argentino, alinhado politicamente à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, acumula declarações públicas de desaprovação ao governante brasileiro. Há duas semanas, o argentino compartilhou em suas redes sociais uma publicação sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto em 2026, gesto visto como endosso político.
Nesta semana, Milei voltou a provocar ao divulgar uma ilustração que retratava Brasil, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa como uma imensa favela, enquanto outros países sul-americanos apareciam em cenários futuristas. A postagem gerou críticas entre diplomatas e políticos da região, reforçando a percepção de distanciamento entre Buenos Aires e Brasília.
Repercussão nas redes e nos bastidores
O contraste entre as duas saudações rapidamente viralizou. Usuários de plataformas digitais destacaram o semblante fechado de Milei e o gesto contido de Lula. Nos bastidores da cúpula, assessores de delegações estrangeiras comentaram que a postura protocolar era esperada diante das declarações anteriores do argentino. Ainda assim, chamou atenção a diferença de temperatura na recepção ao paraguaio Peña, considerado aliado estratégico do governo brasileiro em temas de infraestrutura e integração energética.
Diplomatas ouvidos reservadamente atribuíram o tom cordial do encontro com Peña à agenda conjunta para a Hidrovia Paraguai-Paraná e à revisão do acordo sobre a usina de Itaipu, negociações em andamento que envolvem bilionários contratos de fornecimento de energia.
Agenda oficial prossegue
Apesar do clima frio entre Lula e Milei, ambos participaram da sessão plenária, que tratou de temas como a modernização da Tarifa Externa Comum e os próximos passos do acordo entre Mercosul e União Europeia. As delegações também discutiram a entrada da Bolívia como membro pleno do bloco, pendente de ratificação parlamentar em todos os países.
Ao término das atividades, não houve previsão de reunião bilateral entre Brasil e Argentina. As equipes de comunicação dos dois governos limitaram-se a divulgar notas sobre o andamento geral da cúpula, sem referência a eventuais novas conversas entre os presidentes.
Com a posse de Peña no comando rotativo, representantes paraguaios indicaram que buscarão mediar diferenças internas para acelerar acordos comerciais. Analistas diplomáticos avaliam que a missão não será simples, mas reconhecem o peso de Assunção como interlocutor habilidoso junto a Brasília e Buenos Aires.
O encontro deste sábado encerrou a série de reuniões ministeriais iniciadas em 17 de julho. A próxima cúpula de chefes de Estado está prevista para o primeiro semestre de 2025, sob presidência de Peña.
Com informações de InfoMoney




