O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (26) em queda perante o real, acompanhando o movimento de desvalorização da moeda norte-americana em relação à maioria das divisas no exterior. Por volta das 9h08, o dólar à vista era negociado a R$ 5,280 na venda, recuo de 0,14% em comparação com o fechamento da última sexta-feira. Na mesma direção, o contrato futuro para fevereiro, o mais líquido na B3, cedia 0,05%, cotado a R$ 5,2940.
Na sexta-feira anterior, a divisa havia encerrado o pregão a R$ 5,2876, variação negativa de 0,08%. A movimentação desta manhã reflete, sobretudo, a cautela dos investidores diante de uma semana considerada decisiva para a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, com reuniões dos respectivos bancos centrais agendadas para quarta-feira.
Atuação do Banco Central brasileiro
Com o objetivo de prover liquidez ao mercado de câmbio, o Banco Central (BC) marcou para as 10h30 dois leilões de linha simultâneos, no montante total de US$ 2,0 bilhões. As operações consistem na venda de dólares com compromisso de recompra e têm como finalidade rolar o vencimento de 3 de fevereiro. Esses leilões são um instrumento habitual da autoridade monetária para suavizar oscilações bruscas no câmbio e assegurar o bom funcionamento do mercado.
Enquanto isso, o mercado aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A projeção predominante é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, patamar em vigor desde a última elevação. Mesmo assim, participantes do mercado buscam sinais mais claros sobre quando poderá ocorrer o início de um ciclo de afrouxamento monetário, à medida que indicadores de inflação dão sinais de acomodação.
Expectativas para o Federal Reserve
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) também reúne seu Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) na quarta-feira. A maior parte dos analistas espera a manutenção do intervalo dos Fed Funds, após uma série de aumentos feitos ao longo do ano passado. A reunião será a primeira depois da investigação criminal aberta pelo governo do presidente Donald Trump contra o presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato expira em maio. Embora o mercado não preveja mudanças nos juros nesta ocasião, qualquer nuance no comunicado será observada para avaliar o grau de preocupação da autoridade sobre a economia norte-americana.
Boletim Focus
Pela manhã, o Banco Central divulgou nova edição do Boletim Focus com reduções na estimativa de inflação para 2026. Já as projeções para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a própria Selic permaneceram inalteradas, enquanto as expectativas para a taxa de câmbio ficaram estáveis no curto prazo, mas voltaram a subir nos horizontes mais longos.
Cotações do dia
Nos primeiros negócios, as cotações observadas nas principais praças eram as seguintes:
Compra: R$ 5,279
Venda: R$ 5,280
O recuo desta segunda-feira ocorre, em parte, pela busca de ativos considerados mais arriscados por parte dos investidores globais, que revisitavam suas posições em dólar após indicadores mistos divulgados na semana passada nos Estados Unidos. Alguns analistas apontam que, além da expectativa sobre as decisões de política monetária, fatores técnicos e a atuação do BC brasileiro contribuem para um alívio na cotação.
Cenário internacional
Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava na mesma faixa horária, refletindo sinais de desaceleração econômica em algumas regiões desenvolvidas e apostas de que o Fed poderá encerrar o ciclo de aperto monetário nos próximos meses. Moedas de países exportadores de commodities, como o real, se beneficiam desse movimento, ainda que o ambiente continue volátil.
Próximos passos
Em um cenário de agenda econômica carregada, participantes do mercado seguem atentos também a dados de atividade e inflação que serão divulgados nos próximos dias, tanto no Brasil quanto no exterior. Os números podem reforçar ou alterar as projeções para o rumo dos juros em 2024 e 2025, fatores que têm peso direto sobre o fluxo cambial.
Até que as reuniões do Copom e do Fed sejam concluídas, analistas preveem oscilações pontuais, mas avaliam que a banda entre R$ 5,25 e R$ 5,35 siga como referência de curto prazo para o dólar comercial. A amplitude desse intervalo dependerá, sobretudo, da sinalização que as autoridades monetárias oferecerem sobre suas próximas decisões.
Não há, por ora, sinal de mudança na estratégia do Banco Central brasileiro quanto ao uso de leilões de linha ou swaps cambiais para mitigar pressões excessivas. Novas intervenções, contudo, dependerão do comportamento do mercado nas próximas sessões.
Com as atenções voltadas para quarta-feira, investidores e agentes econômicos acompanham cada detalhe que possa indicar o rumo da política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, elementos fundamentais para o equilíbrio do câmbio e para as expectativas inflacionárias nos meses seguintes.




