O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, confirmou nesta quarta-feira, 11, que o país irá colocar no mercado 172 milhões de barris de petróleo provenientes da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês). A medida faz parte de uma ação conjunta determinada pelos 32 países que integram a Agência Internacional de Energia (AIE), que acertaram liberar, de forma coordenada, 400 milhões de barris para conter pressões nos preços da commodity.
Liberação escalonada
De acordo com Wright, o cronograma elaborado pelo Departamento de Energia prevê que o processo de retirada começará na próxima semana. O planejamento técnico indica um período de aproximadamente 120 dias para que todo o volume autorizado seja efetivamente descarregado nos terminais e disponibilizado ao mercado. As taxas de descarga foram definidas de modo a não sobrecarregar a infraestrutura logística existente, afirmou o secretário.
O anúncio ocorreu após autorização direta do presidente Donald Trump, que, segundo Wright, deu sinal verde para que a pasta inicie imediatamente os procedimentos operacionais necessários. A decisão foi tomada em alinhamento com as demais nações da AIE, que concordaram em agir de forma simultânea para ampliar a oferta global de petróleo.
Contexto internacional
Na avaliação do governo norte-americano, a coordenação entre os 32 países da AIE é fundamental para evitar distorções de mercado e distribuir de maneira equilibrada o impacto da liberação. Ao todo, a ação da agência resultará na entrada de 400 milhões de barris, dos quais os Estados Unidos responderão por praticamente 43% mediante o volume de 172 milhões de barris.
Wright reiterou que a meta é suavizar pressões sobre os preços internacionais, que vinham registrando forte volatilidade nas últimas semanas. Em conversa com apoiadores, o presidente Trump declarou que as cotações já apresentam sinais de recuo, mas ressaltou que o governo “ainda precisa concluir o trabalho no Irã” para consolidar a estabilização.
Reabastecimento da reserva
No mesmo comunicado, o secretário de Energia fez referência ao estado das reservas estratégicas quando a atual administração assumiu o mandato. Segundo ele, o estoque havia sido “esgotado e danificado” pelo governo anterior. Wright informou que o Departamento de Energia tem plano definido para repor cerca de 200 milhões de barris ao longo do próximo ano, volume que representa 20% a mais do que será retirado agora.
De acordo com o secretário, essa recomposição não implicará custos adicionais ao contribuinte norte-americano. A estratégia, explicou, aproveitará mecanismos previstos em lei que autorizam o governo a recomprar petróleo quando o preço de mercado estiver em patamar inferior ao registrado no momento da venda.
Detalhes operacionais
• Volume total liberado pelos EUA: 172 milhões de barris.
• Início previsto: próxima semana, com descarga escalonada.
• Duração estimada: 120 dias.
• Participação dos demais países da AIE: liberação conjunta de 400 milhões de barris.
• Plano de reposição: 200 milhões de barris serão recomprados em 2020, sem ônus para o erário.
O Departamento de Energia não divulgou detalhes sobre os pontos exatos de retirada, mas a expectativa é de que os barris sejam extraídos dos quatro locais que compõem a SPR: Bayou Choctaw e Big Hill, na Louisiana, e Bryan Mound e West Hackberry, no Texas. As instalações foram projetadas para possibilitar o bombeamento rápido em situações emergenciais, destacou Wright.
Próximos passos
Segundo o secretário, técnicos do governo e representantes da indústria já foram notificados sobre o calendário de retirada. As empresas interessadas em adquirir parte do volume disponibilizado poderão participar de leilões eletrônicos que serão anunciados com antecedência, seguindo os procedimentos habituais da SPR.
Wright concluiu que a equipe de energia está monitorando diariamente o comportamento do mercado e manterá atualizados o Congresso, as agências reguladoras e os parceiros internacionais. Qualquer ajuste no ritmo de liberação dependerá da evolução dos preços e das condições logísticas.




