Quem pretende advogar no Brasil precisa, obrigatoriamente, encarar o Exame de Ordem OAB. A avaliação, aplicada três vezes ao ano pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é o último passo antes de solicitar a inscrição definitiva na Ordem dos Advogados do Brasil.
Embora o foco seja o exercício da advocacia, a prova atrai não só bacharéis em Direito, mas também candidatos de concursos públicos que exigem registro na OAB. A seguir, o Academia Concursos reúne todas as informações essenciais para quem vai encarar esse desafio.
O que é o Exame de Ordem OAB e quem pode participar
O Exame de Ordem OAB é requisito legal previsto no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). Sem a aprovação, o bacharel em Direito não pode atuar como advogado, assinar peças processuais nem representar clientes em juízo.
Podem se inscrever estudantes que estejam no último ano ou nos dois últimos semestres da graduação e, claro, quem já concluiu o curso. Não há limite de tentativas, e a taxa costuma ser cobrada a cada edição.
A prova acontece em todas as unidades da federação, sempre num domingo. O intervalo entre a divulgação do edital e a aplicação da primeira fase costuma variar entre 60 e 90 dias, dando tempo para ajustar o cronograma de estudos.
Para quem também mira concursos de nível superior, a aprovação na OAB pode abrir portas em seleções como o concurso do Detran AL, que exige formação em Direito para alguns cargos.
Como funciona a primeira fase: disciplinas e estilo FGV
A etapa inicial apresenta 80 questões objetivas de múltipla escolha, distribuídas em 20 disciplinas. O candidato tem 5 horas para resolver tudo e precisa acertar, no mínimo, 50% (40 itens) para avançar.
Direito Civil (9 questões), Ética Profissional (8) e Direito Penal (7) lideram o peso da prova. Na sequência vêm Direito Constitucional e Processo Civil, cada um com 6 perguntas. Matérias com duas questões, como Filosofia do Direito e ECA, podem parecer secundárias, mas garantem pontos preciosos.
A FGV adota padrões bem conhecidos: prioriza a literalidade da lei, gosta de prazos e percentuais exatos e, frequentemente, insere pequenas pegadinhas de vírgula ou advérbio que desqualificam uma alternativa quase correta. Além disso, a banca valoriza exceções legais e mudanças legislativas recentes (até seis meses antes da prova).
Outro traço forte da organizadora é o escalonamento de dificuldade dentro de cada matéria. Questões fáceis aparecem primeiro, enquanto as mais complexas fecham o bloco. Quem domina o texto legal seco tende a se sair melhor, especialmente em Ética, Constitucional e Processo Civil.
Segunda fase: escolha da área e critérios de correção
Ao superar a primeira fase, o examinando escolhe uma das áreas disponibilizadas no edital — Civil, Penal, Trabalho, Tributário, Constitucional, Administrativo ou Empresarial, entre outras. A escolha feita na inscrição é definitiva, salvo para quem usar a repescagem.
A prova prático-profissional, também com 5 horas de duração, vale 10 pontos. Metade da nota vem de uma peça processual completa; a outra metade, de quatro questões discursivas. Para ser aprovado, é preciso somar pelo menos 6 pontos, sendo praticamente impossível conseguir a nota mínima zerando a peça principal.
Nos últimos exames, a FGV tem mostrado correção criteriosa em itens formais: endereço, qualificação das partes, pedidos, fundamentos e fecho. Identificar a peça errada costuma anular quase toda a pontuação, por isso o treino de identificação de rito é considerado divisor de águas.
Em áreas como Trabalho e Penal, a banca manteve o estilo “raiz”: enunciados longos, riqueza de detalhes factuais e pouca margem para chutes conscientes. Já em Tributário e Constitucional, o Mandado de Segurança segue como campeã de incidência, exigindo atenção redobrada a prazos e legitimidade.
Estratégia de estudo: cronograma, recursos e repescagem
Quem dispõe de 12 semanas pode organizar o estudo em três blocos:
- Semanas 1 a 4 – leitura teórica básica e resolução das primeiras questões;
- Semanas 5 a 8 – aprofundamento por disciplina e simulados completos sob tempo real;
- Semanas 9 a 12 – revisão cíclica, leitura de legislação seca e treinos direcionados da peça da 2ª fase.
A resolução de provas anteriores é apontada como método mais eficiente para entender o padrão da FGV. A banca, inclusive, descarta em edições futuras questões que tiveram índice de acerto muito alto ou muito baixo; por isso, vale monitorar temas novos que apareçam em atualizações legislativas.
Se, mesmo assim, o resultado preliminar não for o esperado, ainda há chance de recurso. O prazo costuma ser de dois a três dias após a divulgação do gabarito (1ª fase) ou da correção (2ª fase). Na prática, cerca de mil candidatos por edição conseguem a aprovação por meio de recurso bem fundamentado.
Para quem passou na objetiva, mas não obteve os 6 pontos exigidos na prático-profissional, existe a repescagem. Ela permite refazer apenas a 2ª fase da edição seguinte, mantendo a área escolhida. Caso haja nova reprovação ou ausência, será necessário reiniciar todo o processo na 1ª fase.
Enquanto espera o próximo edital, o candidato pode aproveitar o tempo livre para olhar outras seleções que pagam bons salários, como os concursos com remuneração acima de R$ 5 mil abertos periodicamente em todo o país.
Exame de Ordem OAB vale a pena?
Para quem deseja advogar ou ocupar cargos que exigem registro profissional, o Exame de Ordem OAB é passo inadiável. A avaliação é exigente, porém previsível em estrutura e conteúdo, o que possibilita preparação estratégica. Dominar a legislação seca, resolver questões da FGV e treinar peças processuais desde cedo são atitudes que encurtam o caminho até a carteira vermelha.




