Um levantamento da Economatica, encomendado pelo portal InfoMoney, aponta o Hectare CE (HCTR11) como o fundo imobiliário com o maior dividend yield previsto para o encerramento de 2025. O indicador, que mede a relação entre o valor distribuído em dividendos e o preço da cota, chega a 22,49%, colocando o FII na liderança entre os 112 componentes do Ifix, índice que reúne os fundos mais negociados da B3.
Ranking dos maiores pagadores
Além do HCTR11, outros três fundos superam a marca de 20% de retorno com dividendos para 2025. Veja a lista dos dez principais pagadores, segundo dados de 28 de dezembro:
Ticker – Segmento – Dividend yield em 2025 (%)
HCTR11 – Recebíveis – 22,49
GZIT11 – Shopping – 21,53
VGRI11 – Escritório – 20,54
BPML11 – Shopping – 20,52
KIVO11 – Recebíveis – 19,19
CACR11 – Recebíveis – 18,95
RZAK11 – Recebíveis – 18,67
KORE11 – Escritório – 18,24
OUJP11 – Recebíveis – 17,62
LIFE11 – Recebíveis – 17,20
Do total analisado, 80 fundos terminam o ano com rendimento superior a 12%, equivalente a uma média mensal em torno de 1%.
Efeito preço e distribuição
O dividend yield pode subir tanto pelo aumento do valor distribuído quanto pela queda do preço da cota. Esse segundo fator ajuda a explicar o desempenho do próprio HCTR11. Embora as cotas do fundo tenham avançado mais de 36% nos últimos 12 meses, elas operam hoje pouco acima de R$ 20, bem distante do patamar superior a R$ 160 registrado em períodos anteriores – o valor atual representa aproximadamente 20% do valor patrimonial.
A desvalorização ganhou força a partir de 2023, quando o fundo registrou inadimplência em vários Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de sua carteira. De acordo com o relatório gerencial mais recente, apenas 12% dos títulos se mantêm adimplentes, 14% estão inadimplentes e 74% seguem em período de carência, sem pagamento de amortização ou juros.
Simulação de investimento em BPML11
Para ilustrar o impacto do reinvestimento de proventos, o InfoMoney simulou a aplicação de R$ 50 mil no BTG Pactual Shoppings (BPML11), que também apresenta dividend yield acima de 20%. Com esse valor, seria possível adquirir 722 cotas em dezembro de 2024, totalizando R$ 49.969,62 investidos.
O estudo compara dois cenários ao longo de 12 meses:
1. Com reinvestimento dos dividendos
Dividendos recebidos: R$ 12.313,76
Patrimônio final: R$ 70.547,52
Rendimento total: 41,18%
2. Sem reinvestimento dos dividendos
Dividendos recebidos: R$ 11.219,88
Patrimônio final: R$ 58.048,80
Rendimento total: 16,17%
Os números destacam o efeito dos juros compostos quando o investidor opta por reaplicar os proventos na própria carteira.
Como funcionam os FIIs
Os fundos imobiliários captam recursos de investidores para adquirir, administrar ou desenvolver imóveis, que podem gerar receitas por aluguel ou pela venda dos ativos. Essas receitas são distribuídas aos cotistas mensalmente, na forma de dividendos isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Com a evolução do mercado, existem FIIs voltados para diferentes segmentos, como escritórios, shoppings centers, galpões logísticos, hospitais, agências bancárias, imóveis rurais e até cemitérios. Também ganham espaço os chamados “FIIs de papel”, que aplicam em títulos de renda fixa relacionados ao setor imobiliário, muitos deles indexados a indicadores de preços ou à taxa do CDI.
Para o investidor, o produto se apresenta como forma simplificada de participação no mercado de imóveis, sem custos diretos de manutenção, vacância ou taxas que normalmente impactam quem compra um imóvel para locação.
O estudo divulgado mostra que, mesmo em um ano de recuperação do Ifix, parte dos fundos continua negociando com descontos relevantes e, em alguns casos, entregando dividendos significativamente elevados.
Com informações de InfoMoney




