São Paulo – A Hapvida (HAPV3) iniciou 2026 ainda sem sinais consistentes de virada operacional. Dados de novembro divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam nova redução na base de clientes, principalmente no estado de São Paulo, enquanto o mercado acionário mostrou reação positiva na manhã desta terça-feira (6).
Às 10h51 (horário de Brasília), os papéis da operadora de saúde avançavam 3,16% na B3, cotados a R$ 15,65, mesmo após o relatório mensal da ANS confirmar a perda líquida de 18 mil beneficiários em novembro, acumulando retração de 35 mil vidas no trimestre em curso.
Pressão concentrada em São Paulo
O Goldman Sachs pontua que a maior parte da evasão ocorreu em São Paulo, onde cerca de 20 mil usuários deixaram os planos da companhia. Para o banco, o desempenho fraco reflete os desafios de integração da NotreDame Intermédica (NDI), adquirida pela Hapvida, apesar do esforço comercial intensificado na região.
Mesmo após o resultado negativo, o Goldman mantém projeção de acréscimo líquido de 14 mil beneficiários para o quarto trimestre de 2025, avaliando que sinais de inflexão na região Sudeste continuarão sob monitoramento.
O Bradesco BBI classificou o recuo como mais um mês sem melhora: em outubro, a operadora já havia contabilizado queda de 15 mil beneficiários. Para o BTG Pactual, as perdas em São Paulo foram parcialmente compensadas por ganhos no Distrito Federal, mas ainda indicam cenário desafiador.
Números detalhados por segmento
Levantamento do Itaú BBA mostra que, na unidade Hapvida Assistência Médica, a redução foi de 2 mil clientes em novembro, totalizando 6 mil no trimestre – variação de ‑0,1%. Já na NDI Saúde, a queda chegou a 4 mil no mês e 9 mil entre outubro e novembro. O consolidado também foi impactado pela performance da Bio Saúde, com destaque para pressão na Região Metropolitana de São Paulo.
Concorrentes ampliam base
Enquanto a Hapvida recua, a Amil reportou desempenho robusto. A operadora adicionou 51 mil beneficiários em novembro e 65 mil no acumulado do trimestre, impulsionada por 30 mil novas vidas em São Paulo e 11 mil no Rio de Janeiro. Segundo o Goldman Sachs, a empresa adota postura comercial mais agressiva em 2025, após priorizar recuperação de rentabilidade no ano anterior.
A SulAmérica, controlada pela Rede D’Or (RDOR3), também ampliou a carteira quando excluídas as operações de Administração de Serviços a Saúde Ocupacional (ASO). Foram 26 mil novos beneficiários em novembro, com forte contribuição do mercado paulista. O Goldman mantém visão construtiva, projetando avanço de 5% da carteira em 2025 e 4% em 2026, além de adição líquida de 40 mil vidas no quarto trimestre de 2025.
O BTG Pactual reafirma a Rede D’Or como “Top Pick” no setor por combinar expansão hospitalar e crescimento em seguros. Já o Itaú BBA ressalta que a SulAmérica apresentou mais um conjunto de resultados robustos, destacando o acréscimo de 46 mil beneficiários em ASO no mês.
Na Bradesco Saúde, a adição líquida foi de 32 mil vidas em novembro – 99 mil no trimestre. Tanto Goldman quanto BTG alertam, porém, para possíveis distorções nos dados da ANS decorrentes de uma taxa de cancelamento (churn) abaixo da média histórica.
A administradora de benefícios Qualicorp apresentou saldo praticamente neutro em novembro. Para o Goldman, a estabilização da base, mesmo sem acelerada retomada de vendas, tende a ser bem recebida. O Bradesco BBI, contudo, considerou o mês levemente negativo, com 16 mil contratações líquidas negativas (17 mil após ajustes), embora melhor do que a perda de 28 mil registrada em igual período de 2024.
Planos odontológicos seguem em alta
No segmento odontológico, a OdontoPrev manteve participação de mercado de 26,7% em novembro. Foram 76 mil novos beneficiários no mês e 135 mil no trimestre, beneficiando-se de um ambiente ainda favorável ao setor. O Goldman destaca que Amil e SulAmérica também vêm capturando parte desse crescimento, possivelmente por estratégias de venda cruzada entre planos médicos e odontológicos. O Itaú BBA confirma a participação de mercado da OdontoPrev estável em relação a outubro.
Perspectivas para o curto prazo
Apesar de expectativas de volume favorável até 2026, analistas projetam que pressões sobre preços de frete e margem devem persistir no curto prazo para o setor de saúde suplementar. No caso da Hapvida, observadores seguem atentos a potenciais pontos de inflexão na região Sudeste, especialmente após sucessivos meses de perda de beneficiários em São Paulo.
Até o momento, no entanto, os números de novembro reforçam a visão de que a operadora inicia 2026 enfrentando desafios semelhantes aos observados ao longo de 2025, ainda que o desempenho das ações indique confiança de parte dos investidores em uma eventual recuperação operacional.
Com informações de InfoMoney




