O Ibovespa encerrou a sessão de terça-feira (16) em forte queda de 2,42%, aos 158.557,57 pontos, no menor patamar do dia. O índice devolveu 3.924,17 pontos em relação ao fechamento anterior, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas. O giro financeiro somou R$ 31,60 bilhões.
Pressão doméstica: ata do Copom e pesquisa eleitoral
No cenário interno, a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) afastou a perspectiva de corte da taxa Selic já em janeiro. O documento reforçou a necessidade de manter os juros em 15% por um período “bastante prolongado”, apesar de reconhecer desaceleração da atividade e surpresas positivas na inflação. Analistas classificaram o texto como conservador.
A cautela aumentou após pesquisa Genial/Quaest mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 41% das intenções de voto para 2026, à frente de Flávio Bolsonaro (23%) e Tarcísio de Freitas (10%). A leitura de que um cenário de reeleição pode intensificar a preocupação fiscal contribuiu para a aversão a risco, derrubando ações e elevando as taxas de juros futuras.
Fatores externos: mercado de trabalho nos EUA
Em Nova York, dados de emprego mais fortes que o esperado esfriaram apostas de continuidade nos cortes de juros do Federal Reserve, acrescentando pressão sobre os ativos de países emergentes. Os principais índices norte-americanos recuaram, com exceção do Nasdaq, que avançou levemente.
Petróleo em baixa e greve nos campos offshore
O barril do Brent para fevereiro de 2026 cedeu 2,71%, fechando a US$ 58,92, menor valor desde 2021. A queda das cotações, somada à greve de petroleiros que já alcança 24 plataformas e oito refinarias, provocou correção significativa em Petrobras. Os papéis preferenciais (PETR4) caíram 3,03%, enquanto as ordinárias (PETR3) recuaram 3,37%, respondendo pela maior contribuição negativa ao índice.
Desempenho setorial
Os bancos também pesaram no índice: Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 2,58%, Bradesco (BBDC4) recuou 2,75%, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,36% e Santander (SANB11) deslizou 3,58%. Entre as empresas de consumo, Azul (AZUL4) ampliou as perdas da véspera e caiu 7,14%, enquanto varejistas como Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Renner (LREN3) também fecharam no negativo.
Nos frigoríficos, Minerva (BEEF3) cedeu 1,63% e Marfrig (MBRF3) recuou 2,82%. Já a B3 (B3SA3) sofreu baixa de 4,23%, acompanhando a aversão a risco local.
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Poucos ganhos: Vale sustenta parte do índice
Entre os poucos destaques positivos, Vale (VALE3) subiu 0,38%, sustentada pela alta do minério de ferro na China. Embraer (EMBR3) avançou 0,99% e Petz (PETZ3) ganhou 0,66%, apoiada pelo cronograma de fusão com a Cobasi, previsto para ser concluído em 2 de janeiro.
Dólar e juros futuros em alta
O dólar comercial registrou a terceira valorização seguida e subiu 0,73%, encerrando a R$ 5,463 na venda. Na curva de juros, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) avançaram em toda a extensão: o DI para janeiro de 2027 saltou para 13,69% ao ano, alta de 40 pontos-base, enquanto o vértice para janeiro de 2031 atingiu 13,40%, ganho de 109 pontos-base.
Agenda mais leve nesta quarta-feira
Para esta quarta-feira (17), a agenda doméstica de indicadores está esvaziada, o que pode reduzir a volatilidade. No exterior, investidores acompanham novos discursos de dirigentes do Fed em busca de pistas adicionais sobre a política monetária norte-americana.
Com informações de InfoMoney
