Brasília – O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) anunciou que se afastará da vida pública e não concorrerá a nenhum cargo nas próximas eleições. A decisão foi divulgada em entrevista ao jornal goiano O Popular na segunda-feira, 26, e, segundo o parlamentar, está diretamente relacionada ao diagnóstico de Parkinson recebido em dezembro do ano passado.
Kajuru relatou que, desde a confirmação da doença neurológica, optou por priorizar o tratamento médico. “O momento agora é cuidar da saúde”, declarou. O senador revelou que já iniciou acompanhamento especializado e que, por orientação de médicos, pretende reduzir a rotina de trabalho.
Pressão partidária e recusa a candidatura
Integrante do Partido Socialista Brasileiro, o parlamentar havia sido sondado pela sigla para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo nas eleições municipais deste ano. A possibilidade surgiu em conversas com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), que enxergava potencial eleitoral no senador, paulista de nascimento e bem-avaliado no Estado.
Apesar do convite, Kajuru afirmou que essa não era sua vontade. “Se eu continuasse na política, disputaria por Goiás”, observou, explicando que construiu a carreira pública no Estado. Ele ressaltou ainda que a atividade política “já não o atrai em nada”. A comunicação oficial da saída deverá ser entregue ao comando do PSB ainda nesta semana.
Trajetória e mandatos
Jornalista esportivo antes de entrar na política, Jorge Kajuru foi eleito vereador de Goiânia em 2016, obtendo a maior votação da história do município até então. Em 2018, conquistou uma das vagas ao Senado por Goiás com mais de 1,5 milhão de votos e exerce o mandato desde 2019.
No Congresso, ganhou projeção ao criticar gasto público, defender maior transparência e presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas. No ano passado, o senador reclamou do grande número de dias sem sessões deliberativas, alegando que o funcionamento da CPI seria prejudicado pela realização da Cúpula dos Parlamentares do G20 (P-20), programada de 6 a 8 de novembro.
Histórico de saúde
Aos 63 anos, Kajuru já enfrentou outros problemas médicos. Em 2019, precisou retirar um tumor no pâncreas. Dois anos depois, licenciou-se do Senado por 30 dias para tratar insônia, depressão, fraqueza muscular e pólipos intestinais. Diabético, ele vinha relatando queda de energia e dificuldade para conciliar as longas sessões no Parlamento com as restrições impostas pelo quadro clínico.
O diagnóstico de Parkinson, feito em dezembro de 2023, não havia sido divulgado até esta semana. “Preferi manter em sigilo até ter certeza do tratamento”, explicou. A doença de Parkinson é degenerativa, afeta o sistema nervoso central e provoca tremores, rigidez muscular e dificuldade de equilíbrio, exigindo acompanhamento contínuo.
Licença e próximos passos
Com a decisão de se afastar da política, Kajuru não definiu se antecipará o término do mandato, que se estende até 31 de janeiro de 2027. Ele pode optar por uma licença prolongada ou renunciar, hipótese ainda não discutida publicamente. De acordo com o regimento interno do Senado, a vaga seria ocupada pelo primeiro suplente, Wilder Morais (PL-GO), caso venha a ocorrer vacância.
O senador afirmou que comunicará pessoalmente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e os líderes partidários sobre a mudança de planos. “Quero agradecer a confiança dos eleitores goianos e explicar que, neste momento, minha saúde fala mais alto”, declarou.
Repercussão no PSB
Lideranças do PSB avaliaram, de forma reservada, que a saída de Kajuru representa perda significativa para a bancada no Senado, que passará a contar com apenas dois representantes titulares. O partido pretendia ampliar a presença na Câmara com a candidatura do senador por São Paulo, aproveitando a boa visibilidade do parlamentar nos veículos de comunicação.
Mesmo sem disputar um cargo, Kajuru não descartou colaborar informalmente com pautas que considera prioritárias, sobretudo na área da saúde e no fortalecimento de mecanismos de controle de apostas esportivas. “Contribuirei na medida do possível, mas sem o desgaste da vida parlamentar”, resumiu.
Até o fechamento deste texto, o PSB não havia divulgado nota oficial sobre a decisão. Aliados esperam uma reunião da direção nacional nos próximos dias para definir estratégias eleitorais e eventuais rearranjos internos.
Com a confirmação do afastamento, Jorge Kajuru encerra, ao menos por ora, uma trajetória de quase oito anos de mandato eletivo, marcada pela atuação em favor da transparência, pelo enfrentamento a problemas de saúde e por votações polêmicas. Enquanto se dedica ao tratamento contra o Parkinson, o senador seguirá acompanhado pelas equipes médicas em Goiânia e, eventualmente, em São Paulo, onde realiza parte dos exames de rotina.




