Governos estrangeiros reagiram com cautela neste domingo (data citada como “hoje” no texto de referência) ao chamado feito na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outras nações desloquem embarcações militares a fim de manter o estreito de Ormuz aberto e protegido. O corredor marítimo, por onde normalmente circula cerca de um quinto das exportações globais de petróleo, tornou-se ponto central da escalada entre Washington e Teerã, e a incerteza já pressiona as cotações internacionais do barril.
Repercussão imediata limitada
Até o fim do fim de semana, não havia indicação de que os governos convocados atenderiam prontamente à solicitação norte-americana. Questionado pela emissora Sky News, o secretário de Energia do Reino Unido, Ed Miliband, afirmou que Londres avalia “intensamente” com os aliados as opções disponíveis. Segundo ele, a forma “mais segura” de desbloquear a passagem marítima é pôr fim ao conflito — sem detalhar como isso seria alcançado.
A Coreia do Sul informou, por meio de nota do Ministério das Relações Exteriores, ter “tomado conhecimento” do apelo de Washington. Seul declarou que “coordenará estreitamente” e “revisará cuidadosamente” a situação junto aos Estados Unidos antes de definir eventual participação.
No caso do Japão, há expectativa de que o assunto volte à mesa na próxima quinta-feira, quando Trump deve receber a primeira-ministra Sanae Takaichi na Casa Branca. A visita pode servir para reforçar a pressão sobre Tóquio, mas o governo nipônico ainda não se pronunciou publicamente sobre o envio de navios de guerra.
Posição de Pequim e iniciativa europeia
Em Washington, o porta-voz da embaixada da China, Liu Pengyu, declarou que “todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e sem obstáculos”. Ele acrescentou que Pequim pretende “fortalecer a comunicação com os envolvidos” para reduzir tensões, sem confirmar a participação chinesa em uma força naval.
A França já vinha discutindo a criação de uma missão internacional de escolta, segundo o Palácio do Eliseu. O presidente Emmanuel Macron mencionou contatos com parceiros na Europa, Índia e Ásia, mas ressaltou que qualquer operação só seria lançada quando “as circunstâncias permitirem”, isto é, depois de uma diminuição nos combates.
Expectativa dos Estados Unidos
O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, disse à rede NBC que mantém diálogo constante com alguns dos países citados por Trump. Ele manifestou esperança de que a China desempenhe “papel construtivo” na reabertura do estreito, destacando a relevância da rota para o mercado petrolífero mundial.
Enquanto isso, o Irã sustenta que a passagem marítima continua acessível. O chanceler Abbas Araghchi declarou neste domingo que o estreito “está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e a seus aliados”, numa tentativa de atribuir aos norte-americanos a responsabilidade pelo bloqueio.
Impacto no mercado de petróleo
A instabilidade militar no Golfo Pérsico mantém a curva de alta nas cotações do petróleo. Com o fluxo comprometido e sem sinal claro de cooperação internacional imediata, investidores seguem precificando o risco de interrupção prolongada. Analistas observam que qualquer ação coordenada para escoltar petroleiros ajudaria a aliviar a pressão sobre os preços, mas a falta de consenso prolonga a volatilidade.
Além das implicações econômicas, o apelo de Trump reforça a dimensão diplomática da crise, pois exige que países com interesses divergentes na região atuem lado a lado. O convite inclui aliados tradicionais de Washington, potências europeias e rivais estratégicos como a China, o que torna a construção de uma coalizão naval ainda mais complexa.
Apesar das declarações públicas, nenhuma capital estrangeira confirmou data, número de navios ou regras de engajamento para uma eventual força multinacional. Observadores diplomáticos avaliam que as nações envolvidas tendem a condicionar qualquer participação a garantias de mandato limitado, coordenação sob comando compartilhado e sinal de redução das hostilidades.
Por ora, o estreito de Ormuz permanece como foco de tensão global. O avanço ou o fracasso das negociações para uma escolta internacional dependerá do desfecho das conversas bilaterais que Trump pretende intensificar nos próximos dias e da disposição do Irã em amenizar o confronto.




