O banqueiro Daniel Vorcaro decidiu, nesta sexta-feira, 13, substituir sua equipe de defesa após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a manutenção de sua prisão preventiva. A mudança sinaliza a intenção do investigado de negociar um acordo de delação premiada.
Saída de Bottini e entrada de Oliveira Lima
O criminalista Pierpaolo Bottini, até então responsável pela defesa do banqueiro, deixou o caso depois de manifestar resistência a uma colaboração com as autoridades. A defesa passa a ser conduzida por José Luís de Oliveira Lima, profissional que se mostra favorável à estratégia de delação. A troca foi comunicada aos tribunais e formalizada logo após a sessão da Segunda Turma que analisou o habeas corpus apresentado pela defesa anterior.
Primeiros contatos com PGR e Polícia Federal
Na semana passada, mesmo antes do julgamento no STF, Vorcaro já havia sondado investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) sobre a viabilidade de um acordo. Segundo interlocutores, essas conversas estavam em estágio inicial e não avançaram porque o empresário aguardava a decisão do Supremo sobre sua liberdade.
Com a manutenção da prisão, a ideia de colaborar ganhou força. Para que a negociação avance, Vorcaro deverá apresentar lista detalhada dos temas que está disposto a abordar e assinar um termo de confidencialidade, requisito para a abertura formal de tratativas de delação premiada.
Homologação dependerá do ministro André Mendonça
Caso o entendimento com a PGR seja efetivado, o acordo precisará ser submetido ao ministro André Mendonça, relator da investigação no STF. Cabe ao magistrado homologar — ou rejeitar — os termos da colaboração. Mendonça autorizou a prisão preventiva do banqueiro e, posteriormente, participou do julgamento que manteve o encarceramento.
Conteúdo do celular indica potencial de revelações
Trechos de mensagens extraídos do telefone de Vorcaro, já anexados aos autos, apontam que o empresário mantinha comunicação com ministros do próprio STF e parlamentares de diferentes partidos. Na avaliação de investigadores, a amplitude desses contatos aumenta o alcance e a relevância de uma eventual delação, que pode envolver autoridades dos Três Poderes.
Prisão na Operação Compliance Zero
Vorcaro foi detido na semana passada na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal sob ordem de André Mendonça. Segundo o inquérito, o banqueiro liderava um grupo armado destinado a ameaçar adversários, invadir sistemas de informática e obter documentos sigilosos de investigações em curso. A PF também apura supostos crimes financeiros e uso de informações privilegiadas.
Nesse contexto, os investigadores pediram a prisão preventiva ao relator, alegando risco de interferência nas apurações e possibilidade de novas intimidações. Mendonça acatou o pedido, e, nesta semana, a Segunda Turma referendou por maioria a decisão, mantendo o banqueiro atrás das grades.
Defesa buscava soltura imediata
Desde a prisão, Vorcaro manifestou a seus representantes descontentamento com a permanência no sistema penitenciário e a intenção de reduzir o tempo de encarceramento. A defesa apostava no habeas corpus analisado na terça-feira para conseguir soltura, mas o colegiado do STF entendeu que os requisitos da prisão preventiva permaneciam válidos.
Com o revés, a colaboração premiada tornou-se o caminho considerado mais viável para abreviar a custódia. Dentro dos próximos dias, a nova equipe jurídica deve protocolar petição solicitando abertura formal de negociações com o Ministério Público Federal, ratificando disposição de prestar esclarecimentos.
Próximos passos
Uma vez apresentado o rol de temas e assinada a cláusula de confidencialidade, PGR e PF avaliarão se as informações oferecidas têm potencial para avançar investigações ou sustentar novas frentes de apuração. Só após essa análise o acordo é redigido em detalhes e submetido à homologação do STF.
Por enquanto, Vorcaro permanece recolhido em unidade prisional de segurança reforçada, sob monitoramento constante. A defesa não informou prazo para conclusão das tratativas, mas pessoas próximas ao caso avaliam que a complexidade dos fatos e o número de autoridades possivelmente envolvidas podem prolongar as discussões.




